Brasília - A primeira-secretaria do Senado terá que dar novas explicações ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), sobre o número dos servidores da Casa que fizeram curso no exterior nos últimos 14 anos. O tucano protocolou ontem um requerimento pedindo que seja informado sobre quanto foi gasto, por mês, com cursos e congressos realizados por funcionários no exterior. Pelo menos, 100 servidores foram ao exterior com despesas parcial ou integralmente pagas pela Casa.
Após quase 80 dias, o comando do Senado entregou na segunda-feira um levantamento a Virgílio, que não informa o montante gasto pela Casa. Há gastos com cursos de contraterrorismo, inglês e capoeira.
O levantamento mostra ainda que 98 servidores tiveram autorização do Senado para ir ao exterior participar de cursos de capacitação - entre eles de idiomas, graduação, pós-graduação - entre 2007 e 2009. A maior parte das licenças ocorreu em 2008, quando 58 funcionários foram liberados.
As tabelas não comprovam, no entanto, se houve irregularidades no pagamento dos cursos, já que muitos servidores foram autorizados oficialmente a deixar a Casa. Não é possível verificar, também, se os funcionários continuaram recebendo salários da instituição enquanto se ausentaram da Casa -como ocorreu com o caso de Renan.
Virgílio pediu para ter acesso aos dados depois de descobrir que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria empregado em seu gabinete um servidor que, apesar de estar lotado na Casa, realizou curso no exterior com o salário pago pela Casa. O tucano respondeu a processo no Conselho de Ética pela denúncia de que um de seus servidores fez curso no exterior às custas do Senado. O senador devolveu mais de R$ 210 mil ao Legislativo, mas ficou irritado com Renan - que considerou legítimo o pagamento.

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