Violência domina protesto em Brasília


Violência domina protesto em Brasília
10 pessoas são feridas em confronto entre polícia e manifestantes, liderados pela CUT, que protestavam contra o desemprego
Agência Estado
Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Bateu, levouManifestante ferido é carregado por colegas: iniciativa do confrontou partiu de um grupo que queria invadir o Congresso
Manifestantes liderados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) entraram em confronto com a Polícia Militar ontem, em frente ao Congresso Nacional, durante ato contra o desemprego. Seis manifestantes e quatro policiais ficaram feridos. O confronto durou cerca de duas horas e mobilizou um efetivo de 2,5 mil policiais militares destacados pelo governo do Distrito Federal. Segundo informações do Hospital de Base, Iremar Gomes Leite, atingido no olho direito, corre risco de perder a visão. Às 19 horas de ontem, ele estava sendo examinado pela equipe de cirurgia geral.
Lideranças políticas envolvidas na mobilização consideraram o enfrentamento com a polícia uma ‘‘derrota’’ para os objetivos do protesto, que era pressionar o governo federal a buscar soluções para problemas como o desemprego. ‘‘Um ato que poderia ser maravilhoso, mostrando toda a nossa insatisfação para a sociedade, foi transformado nisso’’, dizia, inconformado, o deputado federal Carlos Santana (PT-RJ). O deputado José Genoíno (PT-SP) atribuiu o episódio a pessoas desligadas dos movimentos sindicais, que teriam se infiltrado na mobilização ‘‘apenas para tumultuar’’.
A passeata começou no início da tarde e reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo os cálculos da Polícia Militar, que desceram a Esplanada dos Ministérios gritando palavras de ordem. Às 15h25, um grupo de manifestantes derrubou uma das cercas que separam o gramado das rampas de acesso ao Salão Negro do Congresso. Em segundos, todas as grades foram jogadas no chão e a polícia insinuou uma primeira reação, formando um cordão de isolamento próximo dos manifestantes.
No momento seguinte, outro grupo liderado por jovens começou a atirar objetos em direção dos policiais. Manifestantes concentrados na rampa de acesso ameaçaram invadir o Congresso. ‘‘Ah, uh, o Congresso é nosso’’, gritavam, antes de serem contidos pela Polícia Militar com cachorros, cassetetes, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.
Diante da ação militar e da falta de controle por parte dos organizadores, lideranças políticas deixaram a Câmara dos Deputados para negociar a retirada da polícia. Um grupo de parlamentares do PT, PC do B e PSB tentou convencer os policiais a não reagir às provocações dos manifestantes. ‘‘Não tem mais controle’’, disse o deputado Jair Meneguelli (PT-SP).
Candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva tentou, sem sucesso, acertar com os policiais uma trégua na repressão para que os organizadores do movimento pudessem controlar os manifestantes. No meio de tanta confusão, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi atacado por um cachorro da PM quando socorria um manifestante ferido. ‘‘O cachorro não sabe que ele é um senador, mas deveria ser condecorado’’, disse o deputado Jair Bolsonaro (PPB-SP). ‘‘Um senador não pode legitimar atos como este’’, justificou.
Para os políticos, o enfrentamento poderia ter sido evitado pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que proibiu a presença de carros de som diante do Congresso. ‘‘Ele proibiu os carros de som, mas não proibiu a presença de manifestantes. Sem carro de som não há como controlar uma manifestação como esta’’, disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE).
Os políticos também acusaram a polícia de ter reagido com força deliberadamente. ‘‘A polícia é completamente despreparada para lidar com este tipo de coisa’’, comentou José Genoíno. ‘‘A polícia está assim agressiva por ordens do ACM’’, completou Carlos Santana. O confronto com a polícia só foi contornado no final da tarde, perto das 17 horas, quando um cordão de parlamentares isolou os manifestantes longe do gramado diante do Congresso depois que o governador do Distrito Federal, Christovam Buarque (PT), prometeu retirar a força policial do local.


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