Vieira tenta manter mandato de Borba
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Agência Estado 
O senador José Eduardo Andrade Vieira (PR), presidente do PTB, defendeu ontem a preservação do mandato do deputado José Borba (PTB-PR), que confessou ter votado, no plenário da Câmara, em lugar do deputado ausente Valdomiro Meger (PFL-PR). Para o senador, o deputado pediu desculpas por ter cometido um ato no mínimo antiético, mas, dadas as circunstâncias, segundo José Eduardo, o gesto de Borba não pode ser considerado uma falta grave.
O senador argumenta que Borba votou com o conhecimento de Meger, obteve a senha pessoal dele de forma lícita e ainda votou conforme a vontade do pefelista. Além disso, argumentou, não era uma votação fundamental para a reforma da Previdência Social. Para o senador, estes seriam fatores atenuantes para se evitar o processo de cassação.
José Eduardo disse que se o deputado José Borba tivesse obtido a senha de forma escusa ou votado contra a vontade de Meger, esta seria uma falta grave que mereceria a cassação. Não é este o caso. Segundo o senador, existem outros acontecimentos absurdos que não levam a punições. Outro dia, nós vimos a Justiça atenuar o caso dos rapazes que atearam fogo num índio. O crime não foi considerado culposo. Se, num caso como esse, não foi considerado doloso, isto aqui é muito menor, muito pequeno, afirmou.
Na televisão, em todos os canais, vemos programas que contribuem para uma deterioração moral da sociedade brasileira. Não podemos, por uma coisa menor, sacrificar o mandato de um parlamentar que sempre agiu corretamente e cometeu um deslize, sem dúvida, mas também precisamos analisar o comportamento passado dessa pessoa, acrescentou. Não sou daqueles que vão pegar um caso isolado e sacrificar a vida de uma pessoa para dar um exemplo de moralização que até não corresponde à realidade.
José Eduardo disse que o caso poderá vir a ser analisado pela comissão de ética do PTB. Segundo ele, no entanto, até agora não houve pedido de expulsão e, portanto, não há por que o parlamentar ser punido internamente.


