A CPI dos Bancos começa nesta semana a investigar as instituições beneficiadas pelo Proer (programa oficial de socorro a bancos). O primeiro depoimento será o do ex-senador José Eduardo Andrade Vieira, ex-presidente do Bamerindus. O depoimento de Andrade Vieira, marcado para quarta-feira, é aguardado com expectativa pelos integrantes da CPI.
Em reportagem publicada pela revista ‘‘Istoɒ’, o ex-senador paranaense disse que no período de negociação da venda do Bamerindus, no final de 1996, foi procurado pelo advogado Marcos Malan, irmão do ministro Pedro Malan (Fazenda). Segundo a ‘‘Istoɒ’, Marcos Malan ofereceu ‘‘seus préstimos para evitar a liquidação do Bamerindus’’.
Desde que o Bamerindus foi vendido para o HSBC (grupo financeiro inglês), o ex-senador tem acusado a equipe econômica de ter provocado a liquidação do seu banco. Nas eleições de 1994, Andrade Vieira foi um dos coordenadores e um dos principais doadores da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele foi ministro da Agricultura no início do primeiro mandato de FHC.
O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), foi cauteloso. Disse que primeiro quer ouvir o ex-senador para depois decidir sobre novos depoimentos, inclusive do ministro Pedro Malan. ‘‘É preciso ver a dimensão da denúncia.’’ O idealizador da CPI, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), adotou a mesma posição. ‘‘Vamos aguardar o depoimento. Não sei em que nível ele vai colocar uma questão dessa natureza.’’

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