Situação e oposição em Santa Catarina se preparam para a votação do pedido de impeachment do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) e do vice, José Augusto Hulse, por irregularidades na emissão de títulos públicos. A Assembleia Legislativa formou uma comissão de oito deputados para cuidar do processo. O PMDB já prometeu pôr 50 mil manifestantes na porta da Assembléia Legislativa. E ontem a presidência da Casa pediu um parecer à assessoria sobre medidas que possam ser tomadas contra o deputado Wanderlei Rosso (PMDB). Ele teria, em discurso no interior do Estado, incitado a luta armada para impedir o impeachment do governador.
‘‘Não vamos nos sentir encurralados’’, afirma Waldir Cobalchini, da Executiva do PMDB e assessor do governador. Ele manda um recado aos favoráveis ao impeachment: ‘‘Em manifestações de rua temos pós-graduação’’. O PMDB se mobilizou mais intensamente a partir da inclusão do vice entre os citados para o impeachment, com o argumento de que o fato caracteriza a atitude política da oposição de tomar o poder sem passar pelas urnas. Isso porque na hipótese do governador e o vice serem afastados, um novo governo é escolhido.
Já o Fórum Pró-Impeachment, formado por sindicatos, movimentos populares e partidos políticos, aposta em mobilizações de rua, mas evita números. ‘‘A pressão dos manifestantes é relativa, mais fortes são os documentos’’, avalia Clemente Mannes, representante da CUT no Fórum. Ele se refere aos documentos com as conclusões das CPIs do Senado e da Assembléia Legislativa, concluindo pela culpa dos envolvidos, e a rejeição das contas do governo pelo TCE, por causa das irregularidades com os títulos públicos.
Na Assembléia todos os deputados foram orientados a tomar mais cuidado com a segurança. A Casa adotou esquema especial. Para evitar o assédio dos manifestantes aos deputados, o acesso das pessoas está sendo controlado. O presidente da Casa, Francisco Kuster (PSDB), avalia que a situação não é alarmante. Mas, adverte, que não admitirá intimidações e constrangimentos a deputados. Ele promete não encerrar a votação no dia do impeachment se houver algum fato indicando que um deputado esteja impedido de exercer seu voto. ‘‘Vamos garantir esse direito’’, afirma Kuster.
Pitta A CPI dos Títulos Públicos pediu ao prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), a lista que ele considera correta de precatórios pagos durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf, para que seja comparada com as emissões de títulos realizadas. A solicitação foi feita pelo senador Esperidião Amin (PPB-SC), depois que Pitta desqualificou o relatório do senador Roberto Requião, segundo ele, ‘‘incorreto, equivocado, inconsistente e falacioso’’. ‘‘Se é assim, é preciso que o senhor encaminhe a lista que considera verdadeira’’, afirmou Amin. ‘‘Mesmo porque a matemática ainda é uma ciência exata.’’
O senador Esperidião Amin, que é presidente nacional do PPB, disse a Pitta que a questão das emissões de títulos e dos pagamentos de precatórios precisa ser esclarecida, pois, do contrário, a Prefeitura de São Paulo poderá ser penalizada. ‘‘Se o prefeito não provar que os recursos dos títulos foram usados no pagamento dos precatórios, o Senado terá que se basear no relatório apresentado pelo senador Roberto Requião e aprovará o resgate dos títulos’’, argumentou.

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