Vieira ainda pode sofrer processo na Justiça comum
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Agência Folha Florianópolis 
Com o arquivamento do processo de impeachment pela Assembléia Legislativa, o governador Paulo Afonso Vieira (PMDB-SC) se livra do julgamento político, mas ainda pode ser condenado pela Justiça comum. O Ministério Público Federal analisa os relatórios das Comissões Parlamentares de Inquérito da Assembléia Legislativa e do Senado, que apontaram a existência de crime de responsabilidade na emissão de títulos públicos.
Após a análise, o Ministério Público decide se apresenta denúncia contra o governador, o vice-governador José Augusto Hulse (PMDB), o ex-secretário da Fazenda de Santa Catarina Paulo Prisco Paraíso e o ex-procurador-geral do Estado João Carlos von Hohendorff.
Os quatro podem ser condenados tanto em processos civis quanto penais. Na primeiro, ficam obrigados a devolver aos cofres do Estado possíveis prejuízos que a Justiça entenda ter havido com a emissão dos títulos públicos. No segundo, podem ser condenados à prisão, se ficar entendido que se beneficiaram pessoalmente dos recursos.
A oposição, por sua vez, ainda tem esperança de cassar alguns dos direitos políticos do governador. Dentro de 30 dias, será submetido ao plenário da Assembléia o relatório do TCE (Tribunal de Contas do Estado) que reprovou as contas do governo Paulo Afonso Vieira referentes ao ano passado.
Foi a primeira vez que o TCE rejeitou as contas de um governador de Santa Catarina. Se o parecer do TCE for aprovado por maioria simples, o governador ficará inelegível por oito anos, apesar de não ser afastado do cargo.
Ex-relator do processo de impeachment do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB), o deputado Jaime Mantelli (PDT) foi um dos que garantiram a vitória do governo. Em seu relatório, elaborado em junho, Mantelli pediu, de forma veemente, a condenação do governador e do vice, José Augusto Hulse. Desde então, sofreu intenso assédio do Executivo.
Foi favorecido por um aumento salarial dado à PM (sua base eleitoral), indicou o secretário da Fazenda, Nelson Wedekin, e defendeu a volta de seu partido ao governo.


