Viegas descarta aumento a curto prazo a militares
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 2004
Agência Folha 
Brasília - Depois de condenar as manifestações dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica contra os baixos soldos, o ministro da Defesa, José Viegas, soltou nota oficial ontem em que diz que não há expectativa a ''curtíssimo'' prazo sobre o aumento e que ''desautoriza especulações sobre índices de reajuste salarial para os militares''. Essas ''especulações'', que vêm sendo divulgadas pela imprensa, dão como provável um reajuste linear de 10% neste ano, deixando para 2005 uma segunda etapa, em parcelas.
Na nota de ontem, Viegas ''esclarece que não há uma decisão tomada quanto a índices e nem há uma expectativa, a curtíssimo prazo, de uma definição, uma vez que os estudos estão em desenvolvimento''. O adjetivo quanto a prazos -''curtíssimo'' - foi grafado em negrito e serviu para dupla utilidade: não parecer uma forma de pressão sobre o ministro do Planejamento, Guido Mantega (responsável pela liberação de recursos), nem criar uma falsa expectativa nos comandos militares e nas suas tropas.
No terceiro e último parágrafo da nota, Viegas ''mantém as declarações já feitas sobre o tema, segundo as quais os estudos e as hipóteses sobre reajuste salarial dos militares foram levados ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que tomará a decisão quanto ao ritmo e quanto à definição de quantidades''.
Os comandantes do Exército, general Francisco Albuquerque, da Marinha, almirante Roberto Guimarães Carvalho, e da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, avalizaram as três propostas alternativas apresentadas por uma comissão das três Forças para Viegas, que as levou ao presidente. Elas variam de 28 a 35%. A questão está agora nas mãos de Mantega, que vem sendo pressionado por diferentes categorias de servidores civis e já anunciou um aumento acima da inflação para mais de 900 mil deles, mas alega não ter recursos suficientes para novos aumentos. A expectativa é de que haja uma solução de meio-termo para os militares: um aumento ainda em 2004, mas menor do que o reivindicado.


