Vidigal pede fim de 'preguiça' no Judiciário
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O grande volume de processos à espera de decisão judicial precisam de menos ''preguiça mental'' e mais medidas administrativas que ampliem os horários de funcionamento dos tribunais no País. As afirmações foram feitas ontem à tarde pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, após debate promovido na Universidade Norte do Paraná (Unopar) pela Escola de Magistratura Federal de Londrina.
Segundo o ministro, a demora de ''meses, até anos'' para a emissão de sentenças deve ser resolvida, ao menos em parte, com no mínimo dois expedientes de trabalho nos tribunais. ''É importante que se dobre a jornada em todo o Brasil. A população não entende por que o Judiciário trabalha só de manhã, ou só à tarde, ao passo que os processos estão cada vez mais numerosos'', explicou, para afirmar em seguida que a medida já adotada no STJ pôs em dia a distribuição dos processos, e sem a contratação de pessoal. ''Mas também estamos considerando para isso mais investimentos em tecncologia da informação'', complementou. Mesmo assim, salientou que as férias forenses coeltivas não serão problema nesse caso, pois a Reforma do Judiciário as proíbe.
Apesar da iniciativa de ampliar o funcionamento dos órgãos ainda sem data efetiva para se concretizar , o presidente do STJ declarou que problemas que não dependem exclusivamente do Judiciário têm travado novos avanços. Um deles é a mudança de leis que procrastinam decisões judiciais. ''Já faz um tempinho que enviamos esses pedidos de alteração a deputados e senadores, mas como não temos mensalão para pagar, creio que isso vai longe'', ironizou, referindo-se aos escândalos de corrupção em Brasília.
Questionado se é positiva a perspectiva de agilidade em sentenças de ações de improbidade administrativa como as do caso Ama/Comurb, de Londrina dezenas delas, em cinco anos de espera, sem que ninguém tenha sido condenado , o ministro se mostrou ácido. ''Existe uma preguiça mental de um modo geral, por parte dos operadores do Direito, em não se priorizar os crimes contra a administração pública. O sujeito vê aquele volume enorme de processos e não tem uma metologia para priorizar certas coisas'', reclamou. ''É importante sair desse marasmo e ver que isso é crime contra a sociedade'', concluiu.


