A Legislação Eleitoral é bastante clara em definir como obrigatória a eleição de vice-prefeito em todas as cidades brasileiras. A função de substituir o prefeito na administração da cidade em casos de vacância do cargo conta com uma remuneração em Londrina, garantida pela Lei Orgânica, de cerca de R$ 4 mil mensais como verba de representação. No entanto, em Londrina, os três últimos vice-prefeitos terminaram o mandato distanciados da administração municipal.
O atual vice-prefeito, Luiz Carlos Bracarense (PPS), iniciou o governo Nedson Micheleti (PT), em janeiro de 2001, como secretário de Obras. Menos de um ano depois, Bracarense deixou a administração após o desgaste gerado ao governo com o esvaziamento do Lago Igapó 2, em maio de 2001. Na ocasião, Bracarense era o prefeito em exercício. O Lago Igapó 2 só voltou a seu nível normal em junho de 2002. Bracarense não ocupou mais cargo nenhum na prefeitura. ''Houve uma ruptura política porque o prefeito se aproximou de partidos que eram antagônicos à nossa proposta. Tirou o Jorge Coimbra, do PPS, e colocou o PSDB. Ele (Nedson) usou algumas questões administrativas, o lago que, diga de passagem, é o grande projeto apresentado'', disse Bracarense. ''Tenho procurado ter a minha função, mesmo sem cargo, sempre trabalhei na minha função política'', afirmou. A reportagem não conseguiu localizar o prefeito ontem à noite.
O deputado federal Alex Canziani, pré-candidato a prefeito pelo PTB, foi o vice de Antonio Belinati, na gestão 1997-2000, que também deverá disputar a chefia do Executivo municipal no dia 3 de outubro. Após um ano e meio na presidência da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Canziani deixou a administração para disputar a Câmara Federal.
Segundo Luiz Eduardo Cheida (PMDB), prefeito de 1992 a 1996, a relação com o vice, Assad Janani (PDT), que começou bem, terminou com um ''desentendimento bastante sério''. ''No último ano tivemos um desentendimento bastante sério e precisei pedir à ele deixasse a função''', relatou Cheida. Na época Assad presidia a Sercomtel.
Na opinião de Cheida, para tentar evitar desentendimentos, a chapa deve ser composta em cima de programas de governo. ''O vice é resultado de uma aliança e essas, quanto mais construídas em cima de programas e menos de pessoas, mais estáveis elas são'', analisou.
Assad Janani negou um desentendimento com Cheida. ''Não houve desentendimento nenhum. Os cargos de confiança são de exclusiva indicação do prefeito. É uma coisa esperada que o vice ocupe um cargo mas isso não está na lei. Inclusive, no começo da administração queria ser só vice-prefeito. Por insistência do próprio Cheida acabei aceitando ocupar a presidência da Sercomtel e, por conveniência política, ele precisou do cargo de volta'', explicou. ''Mas três meses depois ele me pediu para voltar para a administração e eu não quis.''
Assad defende uma reforma política que dê ao vice novas funções. ''No passado era justificável a função do vice devido à precariedade das telecomunicações, transportes. Hoje em dia, deixou de ser necessário, porque na prática quando o vice substitui não tem o mando da equipe, que continua sendo a mesma. O titular mesmo quando se ausenta tem plenas condições de continuar dando orientações para sua equipe. Advogo a idéia que se pode até encontrar uma função originalmente na Constituição da nossa República, em que o vice-presidente também presidia o Senado, o que poderia ser implantado'', defendeu.

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