Vices querem participar mais do governo
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quinta-feira, 12 de outubro de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
Tradicionalmente, eles pouco aparecem nas campanhas, já que na disputa pelo voto, vale mais marcar o nome e o número do cabeça de chapa. Mas os vices têm uma função ímpar: substituir os titulares. Não faltam exemplos recentes como Itamar Franco, que assumiu a Presidência da República com o impeachment do então presidente Fernando Collor, além de José Sarney, que ocupou a cadeira do presidente Tancredo Neves, morto antes da posse.
Em Londrina, o vice também teria tido um papel fundamental quando, em junho deste ano, o prefeito Antonio Belinati (PFL) foi cassado e afastado. Mas Alex Canziani (PSDB) renunciou ao cargo para ser deputado federal e o município ficou sem vice, obrigando a Câmara de Vereadores a fazer uma eleição indireta para eleger o novo prefeito o presidente do Legislativo Jorge Scaff (PSB).
Os candidatos a vice de Londrina estão cientes da missão que terão pela frente e defendem participação ativa na condução da administração. Assad Jannani (PPB) vice de Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Bracarense (PPS), da chapa do petista Nedson Micheleti, querem mostrar a capacidade de trabalho.
Assad está na área pública há dez anos. Irmão do deputado federal José Janene (PPB), ele ocupou a secretaria de serviços públicos na segunda gestão de Belinati. Foi também vice de Luiz Eduardo Cheida (PMDB) na administração 1993-1996, quando presidiu a Sercomtel. Até o início deste ano, ocupou a presidência da Cohab. É advogado e engenheiro mecânico.
Não existe necessidade de ocupar um cargo. Pretendo atuar em todas as áreas, juntamente com o prefeito, defende Assad. Segundo ele, o programa de governo foi feito a quatro mãos. Ele propõe uma mudança na legislação, estabelecendo uma função operacional para o vice. Trata-se de um assunto que precisa ser revisto, não vejo mais sentido em substituição, já que em uma viagem o prefeito pode manter contato permanente com a equipe, afirma.
Sobre a possibilidade de retornar à Sercomtel, caso eleito, o candidato diz que não faz parte de seus planos. Foi um desafio, agora quero exercer a função de vice e participar da execução do programa que propomos, afirma.
Bracarense também acredita que o papel do vice é atuar junto com o prefeito. Ele exemplificou com a necessidade de promover discussões multidisciplinares para sanar problemas do município. A idéia é criar um sistema interno de informática para ligar secretarias e agilizar decisões. Dessa forma, ele entende que poderá participar das decisões. O candidato diz também que não vai reivindicar uma secretaria, caso vença a eleição.
Quero contribuir com minha formação; meu nome estará à disposição se for apropriado para uma função, mas não se trata de reivindicação, garante. Sobre suas atividades na campanha, o candidato disse que participou das 11 plenárias temáticas que serviram para elaborar o programa de governo.
Bracarense foi secretário municipal de planejamento em Cornélio Procópio até meados deste ano e participou nos últimos seis anos das campanhas do PT em Londrina. O candidato é filho de Otto Bracarense Costa, um dos fundadores do PSDB no Paraná, que foi secretário estadual dos governos João Elísio e José Richa.
Em Londrina, o vice-prefeito tem direito a uma verba de representação de R$ 4 mil, mas não dispõe de sala, equipamentos e secretária. Esta remuneração não é paga ao vice quando ele está à frente de uma secretaria municipal, segundo a secretaria de Recursos Humanos.


