Vicentinho divide poder e fica na presidência da CUT
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domingo, 17 de agosto de 1997
Agência Folha São Paulo 
Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, foi reeleito hoje presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) para um mandato de mais três anos, mas será obrigado a dividir o poder com os bancários. Um acordo na Articulação, tendência política majoritária na central, garantiu hoje a vice-presidência para o bancário João Vaccari Neto, que ocupava a secretaria-geral no último mandato.
A indicação de Vaccari foi uma derrota para Vicentinho, que defendia a manutenção de Altemir Tortelli, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jacutinga (RS) no cargo. Será a primeira vez, desde a fundação da CUT em 1983, que a vice-presidência não será ocupada por um trabalhador rural. Tortelli ficará com a secretaria de Formação Sindical.
Para a secretaria-geral, foi indicado João Felício, da Apeoesp, o sindicato dos professores do Estado de São Paulo. O acordo que garantiu a vice para Vaccari só saiu na manhã de ontem, poucas horas antes da eleição no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Foi uma das soluções encontradas para manter os bancários de São Paulo na direção nacional da CUT.
Um dos principais sindicatos da central, com orçamento de R$ 25 milhões, eles ameaçavam não participar da chapa e fazer oposição à nova diretoria.
Caso o racha tivesse acontecido, Vicentinho correria o risco de ser reeleito nesse congresso com menos de 50% dos votos, o que seria outro fato inédito na CUT. O acordo da Articulação inclui também a aprovação de um documento com medidas para democratizar a gestão na CUT, que limita a autonomia de Vicentinho.
É mais um ponto para os bancários. A principal crítica que fizeram a Vicentinho foi a seu caráter centralizador e personalista. O presidente da CUT não teria, por exemplo, debatido com outros membros da central sua participação nas negociações da reforma da Previdência, no ano passado, e a convocação de uma greve geral para este ano, que acabou não acontecendo.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ricardo Berzoini, o documento foi elaborado por toda a Articulação, o que torna claro que as reivindicações dos bancários foram atendidas.
A vice-presidência deve aumentar o poder de Vaccari na central. Ao sair da secretaria-geral, ele se afasta das funções executivas e ganha mais tempo para atuar politicamente na central. Para Jorge Luis Martins, que também concorreu à presidência, a solução para a crise na Articulação não garante a unidade na CUT. Em vez da CUT de um homem só, teremos a CUT de dois homens. Nós não precisamos disso, mas de pessoas que possam entender as necessidades da
central, afirmou.
Martins concorreu por uma frente de três correntes, a ASS (Alternativa
Sindical Socialista), o MTS (Movimento por uma Tendência Socialista) e a Articulação de Esquerda.


