A direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) decidiu ontem defender uma investigação do governo, pelo Congresso, com vistas à abertura de processo de impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente do Central, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, declarou que a CUT ainda não está defendendo o impeachment já. ‘‘Ainda não temos provas de corrupção contra o presidente, mas apenas indícios.’’
A CUT definiu ainda um calendário de mobilização. De 7 a 11 de junho o MST e a Confederação Nacional dos Bancários farão ocupações simbólicas de bancos e Prefeituras exigindo crédito rural. De 14 a 17 de junho, a Central quer fazer mobilizações pelo confisco de bens dos banqueiros que foram favorecidos na mudança cambial.
Ontem, o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemelo, disse acreditar que o Brasil vive uma crise ética e de valores. ‘‘Ninguém está ligando para valores como a educação e saúde’’, disse. D. Jayme foi cauteloso ao comentar a publicação de diálogos conseguidos por meio de grampo no BNDES, revelando conversas do presidente com integrantes do governo. ‘‘Para esclarecer, seria bom ele falar com o povo’’, argumentou.

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