O vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Marcio José Almeida, anunciou ontem sua renúncia ao cargo. Ele esteve de manhã no Ministério Público (MP) e acusou o chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, Itaicy Mendonça, de pedir comissão a empresários contratados para prestar serviços à instituição. Ele disse ainda estar convencido de que há corrupção na reitoria e que a denúncia atinge diretamente o reitor.
A carta de renúncia de Almeida foi entregue anteontem ao governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘É insustentável a situação dentro da universidade, achei que o melhor seria apresentar o pedido de renúncia’’, afirmou. A renúncia tornou-se pública ontem de manhã, quando Almeida esteve conversando com o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti.
No MP, Almeida disse que ouviu gravações telefônicas em que Itaicy teria pedido dinheiro em seu nome e em nome do reitor. ‘‘As conversas entre o Itaicy e as pessoas são do tipo: cadê o dinheiro?’’, afirmou. ‘‘Ele (reitor) pode ser considerado culpado pela omissão de suas ações, ele tinha conhecimento sobre as fitas (gravações telefônicas) e não se interessou.’’
Almeida contou ainda que sugeriu a Testa que renunciasse. Porém, o reitor teria dito que isso seria uma confissão de culpa. ‘‘Mais cedo do que imagina, ele (Testa) vai agradecer minha atitude; ele não está acostumado a ouvir a verdade das pessoas que se dizem amigo do reitor.’’
Almeida entregou ao MP três CDs com o material que havia em seu computador, cópia da carta de renúncia e um requerimento, mantido em sigilo pelo promotor. Galatti disse que Almeida deverá ser chamado a depor. O MP está apurando outra denúncia envolvendo Itaicy. Há duas semanas, ele foi acusado pelo apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, de se beneficiar com o superfaturamento de um contrato publicitário entre a UEL e a Rádio Nova Ingá, do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira.
Na carta endereçada a Lerner, Almeida afirma que novas denúncias poderão surgir tão logo pessoas da comunidade universitária ‘‘tenham confiança de que não serão vítimas de retaliações e que a impunidade não terá vez.’’ Ele também se mostrou indignado com o fato de Testa ter afastado Itaicy, mas tê-lo nomeado assessor especial no Centro de Estudos Sociais Aplicados.
Na carta de renúncia, Almeida contesta os gastos com publicidade da UEL, que somariam R$ 2,4 milhões em quatro anos, segundo relatório enviado pela universidade ao MP. A UEL informou que gastou R$ 601 mil em 2000. Porém, no vestibular passado, quando o vice-reitor coordenou o concurso, foram gastos R$ 45 mil em publicidade. ‘‘Este foi o valor a mim declarado pelo chefe de gabinete, pois esta verba era controlada exclusivamente pelo gabinete do reitor. Fomos enganados’’, declarou Almeida.
Almeida disse também que um parente de Itaicy esteve na reitoria reformatando o computador que era usado pelo chefe de gabinete. A Folha deixou recado no celular de Itaicy, mas ele não retornou à ligação. (Leia íntegra da carta de Almeida no portal www.bonde.com.br)

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