Vice-presidente do PSB rejeita candidatura de Ciro
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) terá dificuldades para sair candidato à presidência da República pelo PSB com o apoio de uma frente de partidos de esquerda. Além da rejeição do PT, Ciro enfrenta hoje resistências dos integrantes do próprio PSB a seu nome. Se o PSB filiar Ciro para lançá-lo candidato a presidente estará se transformando numa legenda de aluguel, reagiu ontem o vice-presidente do partido e governador do Amapá, João Alberto Capiberibe.
Capiberibe garantiu que não há compromisso do PSB com Ciro. Na conversa que ele teve com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, não se discutiu candidatura a presidente. A seu ver, o tucano descaracteriza o trabalho de unidade das esquerdas pela falta de tradição do próprio Ciro na militância dos movimentos sociais. Ele foi da Arena jovem (o partido do governo no período do regime militar), observou, em defesa de um perfil que tenha características marcantes da oposição.
Empenhada em manter a unidade da esquerda e em evitar que o PSB patrocine a candidatura de Ciro, a direção nacional do PT terá um encontro com Arraes na terça-feira. Líderes petistas avaliam que Ciro na disputa pode até tirar votos do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, de acordo com eles, o PT não deve abrir mão do PSB como parceiro. Além do presidente do PSB, também estarão presentes à reunião os presidentes do PC do B, João Amazonas, e do PDT, Leonel Brizola.
Até lá, Capiberibe promete trabalhar contra a candidatura Ciro, com o discurso de que o PSB não pode crescer pelo inchaço. Ele admite até que Ciro se filie ao partido, mas não para sair candidato ao Palácio do Planalto. A chapa formada pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como candidato a presidente, e por Brizola, como vice, também não empolgou Capiberibe. O Lula é difícil, mas o Brizola não dá, definiu.


