O contrato da Prefeitura de Londrina com a empresa SP Alimentação, que fornece merenda a diversos órgãos da administração, entrou ontem em nova polêmica: investigada pela Controladoria do Município e pelo Ministério Público (MP), a empresa tem na cidade seus serviços de contabilidade executados pelo escritório do vice do prefeito Barbosa Neto (PDT), o contabilista José Joaquim Ribeiro (PSC). Paralelamente, a atual gestão determinou o arquivamento, em documento datado do último dia 5 na Diretoria de Gestão de Licitação e Contratos, órgão ligado à Secretaria Municipal de Gestão Pública, do pedido de rescisão contratual com a empresa - penalidade máxima sugerida por uma comissão interna, que, nos primeiros meses deste ano, estudou as denúncias referentes à execução do contrato. Foi confirmada apenas multa à SP dentro do recurso administrativo interposto pelo Executivo, em 29 de maio.
O rompimento fora proposto em 13 de março ao prefeito interino, José Roque Neto (PTB), que acatou parecer técnico recomendando a rescisão do contrato. O relatório confeccionado pela comissão constatou irregularidades referentes sobretudo à qualidade e tipo do alimento fornecido.
O contrato, de R$ 10,4 milhões, foi prorrogado pela gestão passada para até outubro deste ano. Roque neto deixou para a equipe de Barbosa a decisão de rescindi-lo.
Ontem, a FOLHA teve acesso a um relatório do Sistema Integrado de Processos (SIP) da Prefeitura de Londrina, com dados sobre alvarás de empresas que prestam serviços à administração e o respectivo contador do grupo. No da SP, aparece como contador ''José Joaquim'', e, ao lado, o telefone do escritório de contabilidade do vice-prefeito, empossado em 1º de maio. Em outro documento, datado de 4 de abril deste ano e referente à regularização do alvará de funcionamento do barracão da SP, na Rua Escócia, uma funcionária da Praça de Atendimento da prefeitura encaminha e-mail a ''José Joaquim Ribeiro'' detalhando a docunmentação necessária para liberação do imóvel. Mesmo em documento de alteração de alvará de licença, emitido já em 13 de maio passado, o nome do contador da SP é o do vice-prefeito.
O assunto esquentou os bastidores da Câmara de Vereadores. O representante da casa no Conselho de Alimentação Escolar (CAE), Rony Alves (PTB), afirmou haver ''conflito de interesses'' na situação de Ribeiro em relação à empresa. ''Isso é muito ruim. Em momento de tomar decisões sérias, ele (Ribeiro) será imparcial, defenderá os interesses da SP ou os da Prefeitura? A administração também precisa explicar quais foram as penalidades plicadas à empresa'', disse Alves. O líder do Executivo, Joel Garcia (PDT), conseguiu aprovar requerimento solicitando que os membros da comissão que propôs a rescisão compareçam à Câmara ''para esclarecimentos sobre a punição à SP Alimentos''. Sobre a situação do vice/contador, Joel resumiu: ''Normal isso não é; por isso que o contrato precisa ser rompido''.
Ribeiro se disse surpreso com a repercussão que a publicidade do nome dele atrelado ao da SP ganhou ontem. ''Meu escritório presta serviço para essa empresa desde que ela se instalou em Londrina (em 2006), mas nem conheço o dono, pois são feitos serviços esporádicos de contabilidade - o 'grosso' é tocado por um escritório de São Paulo'', disse. Ribeiro, que afirmou ter comunicado o prefeito da relação com a SP, insistiu que está afastado das atividades empresariais - mas admitiu que o escritório é tocado por parentes, entre os quais duas filhas, irmãos e um genro. Se considera normal manter vínculo com empresa que recebe verba pública? ''Nunca li esse contrato, não tenho nada a ver com rescisão ou não de contrato, isso é com a Gestão, e não vejo tráfico de influência, não, pelo amor de Deus''. O Ministério Público (MP) preferiu não se manifestar a respeito do assunto, por ora.

mockup