O vice-prefeito de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), Pedro Speri (sem partido), que é padre na Paróquia da Vila Guaíra, está acusando ‘‘alguns vereadores’’ do município de exigirem ‘‘vantagens’’ da Prefeitura para aprovar projetos de interesse da administração. As acusações do padre, que desde abril do ano passado não tem cargo na Prefeitura, foram feitas durante entrevistas a emissoras de rádio de Goioerê e confirmadas à Folha.
‘‘Os vereadores de Goioerê ganham altos salários e, mesmo assim, alguns exigem vantagens para votar no projeto da prefeitura’’, disse Speri. O padre vice-prefeito alega que tem como provar a denúncia, mas ressalta que só vai fazer isso na Justiça ou através de depoimentos numa eventual Comissão Especial de Inquérito (CEI). ‘‘Não adianta mandar as provas para a mesa da Câmara que tudo acaba arquivado’’.
O padre disse que já deixou o cargo de secretário da Saúde, no ano passado, porque não concordava com a ‘‘falta de transparência’’ da administração municipal. ‘‘Enquanto os vereadores recebiam vantangens, os servidores estavam sem receber’’, ressalta. ‘‘Eu não podia concordar com isso’’. Agora, Speri ameaça renunciar ao mandato se as denúncias não forem averiguadas. ‘‘Se não tivesse provas, não falaria nada porque caberia processo contra mim’’, explica.
O presidente da Câmara de Vereadores, Evaldo Kovalski (PFL), disse que mandou ofício ao vice-prefeito pedindo que ele aponte nomes, valores e documentos que provem a denúncia. ‘‘Ele confirmou para mim as acusações, mas precisa apresentar provas para que possamos tomar as providências’’, frisa. ‘‘Também precisamos dos documentos para justificar a abertura de uma CEI, como quer o padre’’, completa.
Kovalski diz que caso o ofício não seja respondido, vai voltar a fazer o pedido através da Justiça. Ele também não descarta a abertura de um processo contra o vice-prefeito se ele não provar as acusações. ‘‘Precisamos de uma prova concreta’’. O prefeito Vicente Okamoto (PSDB) disse à Folha, através de um assessor, que, até que se prove, desconhece o pagamento de propinas para qualquer um dos 13 vereadores do município.
‘‘O que é público é que os vereadores chegaram a exigir, até o ano passado, o repasse de duodécimos devidos à Câmara para que votassem determinados projetos’’, disse o assessor Élder Vilela. ‘‘Eram repasses para a Câmara e não para um ou outro vereador específico’’, completa. O assessor ressalta ainda que as exigências eram sempre para votar e não para aprovar um projeto. Segundo ele, o padre Pedro Speri teve outros motivos para deixar a Prefeitura.
AtrasoCom salário mensal de R$ 2,7 mil, os 13 vereadores de Goioerê têm o maior salário da região de Campo Mourão. Em compensação, estão com nove meses de pagamentos atrasados. O presidente Kovalski, que apóia o prefeito Vicente Okamoto, diz que os vencimentos deste ano estão em dia e que a Prefeitura deve começar a pagar os atrasados a partir de maio, quando termina o pagamento de alguns financiamentos.
‘‘Daqui para frente tudo será normalizado’’, frisa Kovalski. Ele diz que os atrasos aconteceram por falta de diálogo entre o presidente anterior e o prefeito. Para tentar sanar a crise, Kovalski também promoveu um enxugamento na Câmara e demitiu 10 dos 19 funcionários. O carro da Câmara - um Tempra 1994 - e ações da Telepar vão ser vendidos para pagar salários atrasados dos servidores. O celular do presidente também será cancelado.
Segundo Kovalski, somente com a venda do carro serão economizados cerca de R$ 5 mil por ano. ‘‘Estamos numa contenção de despesas violenta’’, afirma. Com as primeiras medidas, os gastos mensais já caíram de R$ 55 mil para R$ 37 mil. Os serviços de água e telefone, que estavam cortados, foram religados. Apesar das medidas, no entanto, vários abaixo-assinados estão sendo feitos na cidade que para os salários dos vereadores sejam reduzidos.

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