Vice-prefeito de Mariluz é assassinado
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quinta-feira, 01 de março de 2001
Vânia Moreira Enviada a Mariluz 
O vice-prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Aires Domingues (PPS), de 58 anos, foi assassinado na quarta-feira à noite com dois tiros de pistola. O presidente do diretório municipal do PPS, Carlos Alberto de Carvalho, também foi ferido durante o atentado. Carvalho recebeu oito tiros e está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Umuarama. Os dois teriam sido alvejados por um homem de estatura média, claro e calvo, que fugiu a pé. Ele foi visto por vizinhos e pessoas que passavam na rua no momento do crime.
Domingues costumava ir nos finais de tarde até a empresa de cereais de Carvalho. O crime teria acontecido por volta das 19h30, quando os dois estavam sozinhos no escritório da empresa, localizado na Rua São João. Um homem teria chegado armado de uma pistola 9 milímetros e atirado nos dois. Domingues teria sido alvejado primeiro. Uma bala atingiu o rosto e a outra acertou o pescoço e rompeu a artéria.
Carvalho levou oito tiros no rosto, no abdome e nos braços. Mesmo baleado, entrou em luta corporal com o agressor, que já estaria com a arma descarregada e fugiu. Os dois foram socorridos por vizinhos que ouviram os disparos e os ruídos da luta. O delegado-chefe de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, solicitou uma equipe do Cope de Curitiba para ajudar nas investigações.
A polícia vai investigar os relacionamentos dos dois políticos. O PPS e o vice-prefeito haviam rompido com o prefeito, padre Adelino Gonçalves (PMDB), porque ele não teria cumprido acordos. No início do mês, Domingues e Gonçalves tiveram uma discussão e depois não se falaram mais.
Segundo um dos filhos do vice-prefeito, André Domingues, de 23 anos, o prefeito havia prometido cargos de confiança na prefeitura em troca do apoio do PPS. Coordenador da campanha, Carvalho deveria ocupar o cargo de secretário-geral.
Gonçalves teria ignorado os acordos da campanha e nomeado conhecidos dele de outros municípios para ocupar os cerca de 13 cargos de confiança. De acordo com André, seu pai não aceitava a nomeação de estranhos em detrimento de moradores da cidade.
Mas André disse que seu pai não tinha inimigos e nem problemas envolvendo a empresa dele, uma autopeças em Umuarama. Os adversários políticos eram amigos pessoais antigos dele. Mesmo depois do rompimento com o prefeito, ele vivia tranquilo e não temos conhecimento de que tenha recebido alguma ameaça, disse.
Ex-vereador, casado e pai de três filhos, Domingues morava há 37 anos em Mariluz. O comércio fechou as portas ontem e o corpo do vice-prefeito foi velado na casa dele, na avenida principal da cidade. O prefeito estava viajando e não foi encontrado pela reportagem.


