Vice-prefeita reassume com liminar
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba A vice-prefeita de Rio Branco do Sul, Joana Elias (PSC), reassumiu ontem a prefeitura, por força de uma liminar obtida na comarca do município anulando seu afastamento. Ela estava fora do cargo por decisão aprovada na Câmara dos Vereadores na sexta-feira passada.
A vice-prefeita havia assumido o cargo em 23 de dezembro, após a Câmara extinguir o mandato do prefeito Bento Chimelli (PSC). Chimelli está foragido desde que a Justiça decretou sua prisão preventiva após encontrar armas ilegais e veículos com chassi adulterados em sua casa, em 13 de dezembro. O Ministério Público também acusa o prefeito de ter mandado matar o empresário João Ricardo Pinto Ferro (João Coró), proprietário de uma empresa responsável pela contratação de funcionários terceirizados em Rio Branco do Sul.
Seis dos nove vereadores da cidade votaram pelo afastamento de Joana Elias, acusando a vice-prefeita de praticar nepotismo ao nomear seu marido para a Secretaria de Finanças da cidade. Outra acusação foi a de que Joana Elias estaria ainda seguindo ordens de Chimelli, e teria facilitado o desaparecimento de documentos da prefeitura que comprovariam fraudes.
Os advogados da vice-prefeita conseguiram reverter a decisão, afirmando que a Câmara procedeu de forma ilegal ao afastar Joana Elias. Segundo a decisão do juiz designado para o caso, Guilherme Luiz Gomes, Joana Elias não poderia ter sido afastada do cargo sem ter direito a ampla defesa, o que, conforme a decisão, não ocorreu.
Segundo um dos advogados que defendem a vice-prefeita, Fabrício Ferreira, o afastamento de Joana Elias foi motivado por interesses políticos. ''A sessão da Câmara foi feita na surdina. Baseados em um decreto já considerado inconstitucional, os vereadores aprovaram uma lei e, sem esperar a promulgação da lei em edital, já a aplicaram para afastar a prefeita. Além disso, o presidente da Câmara (Elias Maltaca) votou na sessão, o que seria proibido, visto que ele seria beneficiado assumindo o cargo de prefeito'', afirmou o advogado. De fato, Maltaca assumiu o cargo no dia 17, sendo prefeito em exercício durante cinco dias.
O advogado de Bento Chimelli, Dálio Zippin Filho, também acredita que há um clima de perseguição política na cidade. ''O prefeito tem a intenção de se aposentar, pois está sofrendo de diabetes e pressão alta e precisaria ser hospitalizado. Mas o clima na cidade é de muita insegurança, e ele chegou a ser inclusive ameaçado de morte'', denunciou.


