Vice-lider não disfarça decepção
Da Câmara Federal, onde tem ouvido todo tipo de críticas, queixas e pedidos como presidente da Comissão Mista de Orçamento, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), não disfarça a decepção com o tratamento dispensado pelo Planalto aos parlamentares. ''O governo se relaciona muito mal com o Congresso. Não é coordenação política, núcleo duro ou Lula. É o conjunto do governo que trata os parlamentares como se eles fossem um incômodo'', lamenta Bernardo, garantindo que a reclamação contra ministros, secretários e assessores é generalizada.
Na avaliação do deputado petista, que é vice-líder do governo, não adianta mudar o articulador político. Seu argumento: o problema está no comportamento de quase todo o Ministério e Lula não só já sabe disso como inúmeras vezes pediu a seus ministros mais carinho com o Congresso. Se todos sabem onde está o problema, o que falta para resolvê-lo? ''Falta perder mais uma votação importante'', responde Bernardo.
A próxima derrota pode ser na Câmara, onde a proposta original, prevendo um salário mínimo de R$ 260, voltará a atazanar a vida do governo na terça-feira. Bernardo constata que a insatisfação por lá é enorme. ''Tem ministro que recebe um pedido formal de audiência de uma comissão. Ou seja, não é pedido de um deputado, mas de uma comissão temática da Câmara, e sequer responde''. E conclui: ''Não há coordenação política eficiente se o governo não melhorar no quesito atenção ao Congresso''.





