Brasília – Um pesadelo chamado vice começa a assombrar os presidenciáveis. Depois de toda a crise que os eventuais companheiros de chapa provocaram nas campanhas do senador José Serra (PSDB) e de Anthony Garotinho (PSB), a escolha do vice passou a ser um tabu para todos os candidatos.
À exceção de Serra, que precisa de um nome para consolidar a aliança com o PMDB, ninguém quer tocar no assunto antes de junho, quando as chapas devem ser oficializadas. Para os presidenciáveis, por enquanto, está valendo a velha máxima do ‘‘antes só do que mal acompanhado’’.
Não faltam motivos para tanta cautela. Que o diga José Serra, a primeira ‘‘vítima’’ da síndrome dos vices. No fim de março, depois de tudo acertado com o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), Serra foi surpreendido pela negativa do seu vice preferido. ‘‘Ele nos tirou do lance’’, lamenta até hoje o presidente nacional do PSDB, José Aníbal.
A desistência causou um estrago na campanha de Serra, que até hoje não conseguiu sacramentar a aliança com o PMDB. Para Aníbal, não houve erro de estratégia. ‘‘Tínhamos sinais claros de que ele aceitaria, mas houve muita pressão local’’, explica. De acordo com ele, ‘‘o vice bom é aquele que agrega politicamente sem atrapalhar’’.
Em busca desse perfil, Aníbal, Serra e o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), discutiram semanas até chegar ao nome do deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Serra não era um entusiasta da idéia, mas precisava de um nome para resolver a crise e fechar logo a coligação com o PMDB.
Quando tudo parecia acertado, na sexta-feira, a revista ‘‘Istoɒ’ denunciou que Alves tinha US$ 15 milhões em contas secretas no exterior. Na mesma hora, a candidatura de Alves foi para o espaço. E o problema de Serra continua. Ao invés de somar, o vice só trouxe prejuízos para a sua campanha.
Com a mesma pressa em criar um fato positivo, Anthony Garotinho também tentou antecipar a escolha de seu vice. No mês passado, anunciou o ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Costa Leite, para o cargo. Na primeira denúncia, há duas semanas, Costa Leite não resistiu. A notícia de que ele havia trabalhado no extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) irritou o presidente do PSB, Miguel Arraes, e provocou uma crise interna tão grande que Garotinho teve de voltar atrás. ‘‘Não sabíamos da dimensão do passado dele’’, justifica o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ).
Não satisfeito, Garotinho insistiu. Na semana passada, convidou o deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP) à revelia do partido. Costa Neto, empenhado em fazer aliança com o PT, não só declinou como sugeriu a renúncia do candidato do PSB.
Depois dos tombos, Garotinho deve aguardar um pouco mais para se aventurar em outro convite. Com chances reduzidas de formar alianças, o mais provável é que o nome do vice saia do próprio PSB. Entre os mais cotados, estão os deputados João Leite (MG) e Vilma Maia (RN).

mockup