Depois de passar três anos praticamente à margem da administração municipal, o vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN) voltou ao Palácio das Indústrias, ontem, como prefeito. Acompanhado de assessores e amigos, o prefeito interino chegou à Prefeitura às 8h19, cerca de dez minutos depois do prefeito afastado, Celso Pitta (PTN).
Desde cedo, o clima na Prefeitura foi de expectativa. A grande dúvida era se Oliveira realmente assumiria o cargo. Enquanto funcionários espiavam pelas janelas ou circulavam pelo saguão principal, assessores do prefeito interino o aguardavam no pátio em frente ao Palácio.
A chegada dos dois provocou alvoroço no local. Pitta e Oliveira entraram pela mesma porta, que fica ao lado da portaria principal, e se dirigiram para o gabinete do prefeito, onde houve a transmissão do cargo. Pitta chegou ao Palácio acompanhado do secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, e de seus advogados. Oliveira estava acompanhado de assessores. Logo em seguida, chegou o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg.
O encontro entre o prefeito afastado e o interino durou cerca de 20 minutos, a portas fechadas. ‘‘Foi um encontro cordial e o prefeito se colocou à disposição’’, disse Braido, que acompanhou a reunião. Estiveram presentes na reunião os advogados de Pitta, os secretários municipais Edivaldo Brito (Negócios Jurídicos), Meinberg e assessores de Oliveira. Logo em seguida, Pitta leu uma nota oficial no Salão Azul e, às 9h05 deixou a Prefeitura, acompanhado de seu staff político e dos advogados.
Às 12 horas, Oliveira convocou uma entrevista coletiva no Salão Azul. Uma de suas primeiras medidas foi anunciar que dois amigos seus iriam assumir os postos de secretários das pastas do Governo Municipal e Finanças e um programa de atendimento à comunidade. ‘‘A idéia é receber toda segunda-feira, das 8 horas às 12 horas, as lideranças comunitárias credenciadas’’, disse Oliveira. ‘‘Eles serão recebidos por mim, pelo secretário de governo e pelos administradores regionais para a solução ser imediata.’’
O prefeito interino declarou que irá convocar na próxima semana as lideranças partidárias para formar uma base de apoio na Câmara Municipal. Ele afirmou que irá pessoalmente ao Palácio Anchieta para conversar com os partidos e vereadores. ‘‘A minha mão vai estar estendida a todos’’, disse. ‘‘Espero contar com o apoio do voto e a participação efetiva (dos vereadores) na administração’’, declarou.
Segundo Régis, se a Justiça mantiver o afastamento de Pitta do cargo ele não será candidato à prefeitura de São Paulo. Mesmo assim, acredita que o recurso impetrado pela defesa de Pitta irá demorar para ser julgado. ‘‘Na medida em que o cargo é atribuído ao vice-prefeito eu vou exercer em toda a sua plenitude’’, disse.
Régis de Oliveira evitou fazer comentários sobre os casos de corrupção na administração municipal e os trabalhos da Comissão Processante que investiga o prefeito afastado Celso Pitta. ‘‘Isso é problema da Câmara, que tem uma Comissão Processante e depois o processo é levado a julgamento; não me cabe interferir nisso’’.

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