Vice de Lula prevê quadro dramático até janeiro
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sexta-feira, 02 de agosto de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O candidato a vice-presidente da República pela aliança PT-PL-PCdoB-PMN-PCB, José Alencar (PL) disse ontem em Curitiba que acredita que o quadro econômico brasileiro estará dramático em janeiro, quando ele e Lula assumirem o governo caso sejam eleitos. ''Justamente por isso que o Brasil precisa de nós'', emendou. Segundo ele, as decisões que interferem na economia do País precisam ser tomadas por políticos e não por técnicos. Alencar esteve na capital do estado para conversar com empresários cumprindo agenda na Associação Comercial e Industrial do Paraná.
A resposta, entendida por alguns como uma crítica ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi complementada por Alencar dizendo que os políticos quando termimam seu mandato prestam contas à população, sob o ônus de não conseguirem mais se reeleger. Já os técnicos normalmente deixam o governo e vão para instituições financeiras, para quem hoje se transfere renda como nunca aconteceu no Brasil.
Mais uma vez ele reafirmou a posição que vem sendo mantida por Lula sobre a postura diante dos contratos. ''Romper contratos unilateralmente seria uma irresponsabilidade. Isso não quer dizer que não possamos negociar melhores condições para honrá-los.'' Também repetiu o discurso do seu candidato a presidente sobre o acordo com o Fundo Monetário Internacional. ''Nós somos candidatos. Até o dia 31 de dezembro quem tem a competência para negociar com o FMI é o presidente Fernando Henrique Cardoso.''
Mas ele criticou a frequência com que o Brasil tem recorrido ao Fundo. ''Primeiro íamos de oito em oito anos, depois caiu para cinco anos, três anos e daqui a pouco estaremos indo ao FMI de dois em dois meses.'' Ele acredita que uma mini-reforma tributária agora ajudaria o País a romper o círculo vicioso que o obriga a recorrer ao Fundo para poder rolar a sua dívida interna.
Sobre a situação da oligação no Paraná, Alencar garantiu que o apoio é exclusivo para o candidato do PT ao governo, Padre Roque Zimmermann. Sobre o apoio dado à candidatura de Lula pelo candidato do PMDB, Roberto Requião, Alencar citou que em outros estados existe situação semelhante porque muitos peemedebistas não concordaram com a decisão nacional do partido. Ele não considera que esse apoio possa prejudicar a campanha de Padre Roque. ''Cada candidato tem sua avenida própria. Agora, não podemos deixar de receber apoio. Já erramos em 1989 e não vamos errar outra vez'', disse, referindo-se à recusa do PT no segundo turno ao apoio oferecido por Ulysses Guimarães (PMDB), morto num acidente aéreo.
Padre Roque, embora desconsidere perguntas sobre a possibilidade de dividir o palanque de Lula com Requião no Paraná, diz que vai resolver o problema apenas quando e se ele realmente aparecer.


