Vice de Goioerê renuncia mandato por 'divergências'
O vice-prefeito de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), padre Pedro Speri (sem partido), enviou anteontem no final da tarde ofício ao Fórum comunicando a renúncia do mandato. O documento, que foi depois encaminhado à Câmara de Vereadores, foi protocolado cerca de uma hora depois do padre ter participado de uma audiência no Fórum. Ele foi chamado para que apresentasse provas de que alguns vereadores tinham recebido propinas da prefeitura.
No ofício, Speri diz que a renúncia é irrevogável devido a divergências com a prefeitura e com parte dos vereadores e pela forma que o município vem sendo governado. O padre listou no ofício os cinco motivos que o levaram a renunciar. Ele diz que não há transparência na administração, que o prefeito não está cumprindo as promessas de campanha, que a prefeitura privilegia um grupo de vereadores e que não há uma administração voltada à comunidade.
Speri afirmou ontem à Folha, por telefone, que tomou a decisão de renunciar porque se sentiu humilhado ao ser levado perante ao juiz e ao promotor pelos heróis de Goioerê. Me pediram provas impossíveis, alega. Será que eu teria que levar fotos mostrando o secretário da prefeitura entregando o dinheiro para os vereadores?, questiona o padre. Precisa prova maior que a situação da prefeitura e a falta de pagamento aos servidores?.
O padre disse que vinha recebendo telefonemas anônimos que pediam para ele tomar cuidado com o que iria falar no depoimento ao Fórum. Mesmo assim, não me deram a oportunidade de falar do caixa dois da prefeitura e de outras denúncias que eu queria ver averiguadas, frisa. O próprio prefeito me disse uma vez que não aguentava mais ajudar os vereadores, reforça Speri. Só que a minha palavra não valeu nada.
Heróis O ex-vice-prefeito reclamou que saiu do fórum como o homem que não presta e os vereadores como os heróis da cidade. Mas não retiro o que disse e se isso for calúnia, que me processem, afirmou.
No depoimento dado à Justiça anteontem à tarde, mesmo alegando que não tinha provas concretas, Speri citou o nome de quatro vereadores que teriam sido beneficiados pela prefeitura - Francisco Onofre Filho, José Silvério da Rosa e Sebastião José dos Santos, do PTB, e Marino Basso, do PFL. Sei disso porque o próprio prefeito me contou, ressalta. Se a minha palavra não vale nada, o que eu posso fazer?.
Surpreso O prefeito de Goioerê, Vicente Okamoto (PSDB) passou ontem a tarde inteira em reuniões e não atendeu a Folha. O secretário dele, Sílvio Della Vecchia, disse que o prefeito estava sentido pela saída de Speri. Todos foram pêgos de surpresa porque o padre Pedro não conversou com ninguém, disse Della Vecchia. Seo Vicente respeita todo mundo e não é de retaliações, frisou Della Vecchia.
O prefeito nega, no entanto, que tenha dado dinheiro do município para os vereadores votarem em projetos do interesse da prefeitura. O diretório municipal do PT apresentou cheques de um secretário da prefeitura nominais a três vereadores, em dia de votação de uma CPI na Câmara, mas a prefeitura alega que foram apenas empréstimos entre amigos.
O presidente da Câmara de Goioerê, Evaldo Kovalski (PFL), afirmou ontem que vai processar o padre por calúnia e difamação. Ele fez acusações contra os vereadores sem ter provas, alega. Foi Kovalski, junto com outros vereadores, que pediu à Justiça que interpelasse o padre. Com a renúncia de Speri, o presidente da Câmara assume a prefeitura até o dia 22. É que o prefeito se licencia do cargo hoje para fazer uma viagem particular aos Estados Unidos.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Goioerê, Paulo Mendes da Silva, divulgou nota ontem à tarde lamentando a renúncia do padre.





