Um estudo realizado em 2010 pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estimou que a corrupção custa ao Brasil entre 1,38% e 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
"A corrupção afeta negativamente a atividade econômica e a competitividade do País, porque aumenta o custo do investimento produtivo, prejudica a estabilidade do ambiente de negócios, inibe os investimentos externos, diminui a arrecadação e altera a composição dos gastos governamentais, distorce a concorrência, abala a legitimidade dos governos e a confiança no Estado, restringe o crescimento econômico, o PIB per capita e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Dessa forma, a corrupção afeta tanto os serviços públicos e gastos sociais quanto o funcionamento do setor privado", afirma José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.
"Portanto, a lei é um passo importante para combater esse conjunto de problemas, permitindo o uso mais eficiente e transparente dos recursos públicos", acrescenta.
José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elogia a Lei Anticorrupção, mas argumenta que a matéria tem "indefinições" que podem gerar problemas. Ele cita como exemplos as tipificações de atos lesivos à administração pública, que seriam "muito abertas" e dariam brecha para interpretações diversas, e a interface com outras leis, como a da ordem tributária.
"Essas indefinições geram insegurança para as pessoas, para as empresas. Será que as administrações públicas estão preparadas para aplicar a lei? Ela não pode ser utilizada para brigas políticas? Não pode ser usada arbitrariamente? Em uma situação envolvendo esferas mais altas, como o governo federal, ainda acredito (na correta utilização e aplicação da lei), mas em um município pequeno?", questiona. (F.G.)

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