Vice-chanceler argentino defende opinião de Menem
O vice-chanceler argentino Andrés Cisneros tentou legitimar as críticas do presidente Carlos Menem ao candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, de que uma vitória do petista destruiria o Mercosul. Devemos nos acostumar à idéia de que existem coisas como o Mercosul, em defesa do qual todos têm o direito de opinar. Fontes da Casa Rosada disseram à AE que Menem não emitiria um pedido de desculpas a Lula, ou outra forma de retratação.
As declarações de Menem foram feitas na sexta-feira, depois que o presidente argentino leu no La Nación um artigo intitulado Lula ameaça a continuidade do Mercosul. O jornal afirmava que Lula havia dito que faria uma maxidesvalorização do real ao chegar ao poder.
A hipotética declaração, somada ao crescimento do candidato do PT nas últimas pesquisas, teria deixado Menem apreensivo, já que uma desvalorização colocaria em risco as exportações argentinas ao Brasil, destino de 33% de suas vendas ao exterior. Analistas argentinos consideram que uma maxidesvalorização do real seria um golpe duríssimo ao país. O fantasma de uma queda do real é um dos motivos para que o governo argentino insista na criação de uma moeda única para o Mercosul, de forma a amarrar o real à paridade dólar-peso, graças à qual a Argentina eliminou a inflação.
Segundo Menem, isso acabaria com o acordo comercial do bloco. As afirmações de Menem, no entanto, foram feitas antes da confirmação da notícia. Nesse intervalo, a embaixada argentina em Brasília entrava em contato com assessores do PT em São Paulo para confirmar a veracidade das declarações, que foram desmentidas pelo PT.
Menem criou um confronto entre ele e um eventual futuro presidente do Brasil, com o qual teria que conviver um ano: desde 1º de janeiro de 1999, data da posse no Palácio do Planalto, até 10 de dezembro, quando Menem deixará o governo. Para Cisneros, Menem não interferiu na política interna do Brasil, mas afirmou que determinadas medidas poderiam constituir um perigo para a integração. (AE)





