O vice-prefeito de Abatiá (60 km de Jacarezinho) Silde Pedroso (PMDB), foi empossado ontem no cargo de prefeito. Anteontem, a Câmara de Vereadores cassou o mandato do titular José Luiz Vozni (PMDB) por improbidade administrativa, depois da divulgação dos resultados de uma investigação realizada pelo Ministério Público (MP) na prefeitura.
A investigação revelou fraudes na emissão de notas fiscais frias para a compra de combustíveis. O desvio de recursos realizado nos últimos três anos está estimado em R$ 100 mil. O MP apurou a participação de 11 pessoas no esquema de emissão de notas frias. O vice-presidente da Câmara Raimundo Alves Maia disse que os funcionários envolvidos no caso ainda estão trabalhando e adiantou que os vereadores devem pedir o afastamento deles, caso o prefeito empossado não tome providências. ‘‘Primeiro foi o prefeito, mas agora vamos responsabilizar os demais.’’
Maia disse que uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) foi instaurada em outubro, após o início da divulgação parcial dos resultados da auditoria realizada pelo MP. A cassação foi aprovada por dois terços da Câmara. A promotora Keli Cristiane Diogo Bahena conduziu as investigações e, segundo Maia, encerrou a investigação na semana passada. Ele explica que Vozni confessou as irregularidades e alega que utilizou a fraude para ‘‘equilibrar as contas do município’’.
As contas do prefeito não foram aprovadas pela Câmara. O prefeito cassado não foi localizado ontem pela Folha e, de acordo com vereadores, não pretende recorrer da decisão. Vozni cumpria seu segundo mandato – ele comandou a prefeitura de 89 a 92. Ele não se candidatou à reeleição. O eleito Edeval Soares Nogueira assume o cargo em janeiro. O município de Abatiá tem 7.386 eleitores.
Este é o segundo caso de prefeito afastado no Norte Pioneiro depois das eleições. O prefeito reeleito de Joaquim Távora Tarcizo Messias dos Santos foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de abuso econômico e também teve que ser substituído.

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