Um dia após assumir o cargo, o governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros (PTB), afirmou ontem que pretende renunciar se o governo federal não oferecer ajuda financeira ao Estado. ‘‘Se não houver condições para governar, arrumo minhas malas e vou embora’’, avisou. Ele terá uma conversa hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio. Ontem, o governador adiantou que pretende aceitar todas as sugestões do presidente, até mesmo a substituição do comando da Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública por oficiais do Exército. ‘‘Se for preciso vamos romper com os usineiros’’, anunciou.
O governador reuniu-se ontem com os presidentes do Tribunal de Justiça, Jairon Maia Fernandes, e da Assembléia Legislativa, João Neto (PSDB), mas nada decidiram sobre a crise. Barros disse que mudará alguns dos secretários de Divaldo Suruagy (PMDB), e que não haverá intervenção no Estado. ‘‘Isso já foi discutido e descartado’’, afirmou. ‘‘Se bem que Alagoas correu o risco de sofrer intervenção.’’ O governador aposta em uma trégua dos funcionários públicos, principalmente dos policiais civis e militares, para poder começar a trabalhar. Algumas categorias de servidores públicos não recebem salário há oito meses. Os principais trechos da entrevista com o novo governador:
‘‘Pretendo solucionar a questão do funcionalismo o mais breve possível. Só saberia quando os recursos chegarem. Se hoje o governo me liberasse R$ 120 milhões, poderia pagar pelo menos três ou quatro meses atrasados’’, afirma o vice-governador.
Greve ‘‘Vou pedir a colaboração de todos para que me dêem um voto de confiança, para o Estado normalizar esta situação. Peço que o povo tenha a compreensão de que em dois dias não posso resolver nada, não posso fazer milagres. Preciso da ajuda do governo federal. Mas se não receber ajuda, não fico no cargo.
Recursos ‘‘O governo está oferecendo a Companhia de Energia Elétrica de Alagoas (Ceal), um crédito de R$ 20 milhões que temos com a Petrobrás e até a Companhia de Água e Saneamento de Alagoas (Casal), por isso acredito que o governo federal libere logo os recursos prometidos.’’
Usineiros ‘‘Se for preciso vamos romper com os usineiros. Pretendemos zerar o crédito com eles e poderemos até ajudar com incentivos fiscais, mas não podemos aceitar esta dívida de R$ 248 milhões que eles dizem que têm conosco.’’

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