Vice assume e ameaça renunciar
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sexta-feira, 18 de julho de 1997
Agência Estado Maceió 
Um dia após assumir o cargo, o governador de Alagoas, Manoel Gomes de Barros (PTB), afirmou ontem que pretende renunciar se o governo federal não oferecer ajuda financeira ao Estado. Se não houver condições para governar, arrumo minhas malas e vou embora, avisou. Ele terá uma conversa hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio. Ontem, o governador adiantou que pretende aceitar todas as sugestões do presidente, até mesmo a substituição do comando da Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública por oficiais do Exército. Se for preciso vamos romper com os usineiros, anunciou.
O governador reuniu-se ontem com os presidentes do Tribunal de Justiça, Jairon Maia Fernandes, e da Assembléia Legislativa, João Neto (PSDB), mas nada decidiram sobre a crise. Barros disse que mudará alguns dos secretários de Divaldo Suruagy (PMDB), e que não haverá intervenção no Estado. Isso já foi discutido e descartado, afirmou. Se bem que Alagoas correu o risco de sofrer intervenção. O governador aposta em uma trégua dos funcionários públicos, principalmente dos policiais civis e militares, para poder começar a trabalhar. Algumas categorias de servidores públicos não recebem salário há oito meses. Os principais trechos da entrevista com o novo governador:
Pretendo solucionar a questão do funcionalismo o mais breve possível. Só saberia quando os recursos chegarem. Se hoje o governo me liberasse R$ 120 milhões, poderia pagar pelo menos três ou quatro meses atrasados, afirma o vice-governador.
Greve Vou pedir a colaboração de todos para que me dêem um voto de confiança, para o Estado normalizar esta situação. Peço que o povo tenha a compreensão de que em dois dias não posso resolver nada, não posso fazer milagres. Preciso da ajuda do governo federal. Mas se não receber ajuda, não fico no cargo.
Recursos O governo está oferecendo a Companhia de Energia Elétrica de Alagoas (Ceal), um crédito de R$ 20 milhões que temos com a Petrobrás e até a Companhia de Água e Saneamento de Alagoas (Casal), por isso acredito que o governo federal libere logo os recursos prometidos.
Usineiros Se for preciso vamos romper com os usineiros. Pretendemos zerar o crédito com eles e poderemos até ajudar com incentivos fiscais, mas não podemos aceitar esta dívida de R$ 248 milhões que eles dizem que têm conosco.


