Vice assume a Prefeitura de Andirá
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sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Wilson Bonacin (PDT), vice-prefeito de Andirá, assumiu a prefeitura ontem pela manhã. O prefeito Carlos Kanegussuku (PT) foi afastado temporariamente do cargo anteontem por medida cautelar emitida pela juíza Vanessa De Biassio Mazzutti. Ele é investigado por ter cortado serviços na área social e da saúde em suposta ''retaliação'' por não ter sido reeleito. Os cortes foram anunciados em entrevista ao vivo concedida pelo prefeito a uma rádio local nos dias 5 e 6 de outubro.
''(...) não fui eu que perdi (as eleições). As pessoas que se iludiram, que foram na onda, na conversa fiada, vão pagar caro isso aí (...) então por esse motivo é que nós estamos tomando medidas mais drásticas, porque as pessoas não estavam valorizando o que nós estávamos fazendo, daquilo que nós estávamos prestando a mais para a população na qualidade de vida, na área social (...)''. Esse é um dos trechos da entrevista transcrito na ação cautelar. O prefeito citou a vaca mecânica, o transporte de estudantes e o terceiro turno de médicos como benefícios que seriam cortados.
De acordo com o vereador José Odair Bonacin (PMDB), primo do vice-prefeito, todos os vereadores foram até a prefeitura fazer contato com Wilson Bonacin ontem. Ele se recusava a assumir o cargo de prefeito por não ter sido notificado oficialmente. Entretanto, um oficial de justiça intimou o vice-prefeito no fim da manhã e ele assumiu a prefeitura.
Na tarde de ontem, os vereadores realizaram uma sessão extraordinária e agendaram para segunda-feira uma reunião com o prefeito em exercício para que ele reestabeleça serviços cortados por Kanegussuku. Entre os cortes está a suspensão da distribuição de leite de soja, fabricado por uma vaca mecânica; paralisação do projeto Criança Esperança; fim do terceiro turno para médicos e paralisação dos projetos da Autarquia Muncipal do Esporte.
A Câmara promete instaurar uma Comissão Processante (CP). A informação é do vereador Auri Estevam (PV). ''A CP é para apurar as informações constantes nos autos e, se forem comprovadas, nós também vamos afastá-lo'', detalhou.
O secretário de Esportes, Márcio Briganti, defendeu que os trabalhos da autarquia terminaram porque o calendário esportivo terminou. Ele justificou que as equipes de várias modalidades treinam vinculadas às competições. Questionado se nos anos anteriores isso também ocorreu, Briganti garantiu que sim. Sobre os cortes, ele se limitou a dizer que foram ''medidas tomadas pelo prefeito para equacionar as dívidas dele''.
O secretário de Saúde, José Roberto Oliveira, garantiu que nenhuma medida teve cunho eleitoreiro. ''O que deixou de atender é porque no mês de outubro a gente tira o pé do acelerador'', argumentou. Ele destacou que o terceiro turno foi uma inovação criada pelo prefeito para que os trabalhadores pudessem ser atendidos à noite sem perder o dia de trabalho. ''Temos que enxugar os gastos e tem um hospital 24 horas a uma quadra do terceiro turno'', justificou. Segundo Oliveira, cerca de 30 pessoas eram atendidas diariamente no terceiro turno, que custava R$ 2,5 mil por mês.
A Folha tentou contato com outros secretários, com Kanegussuku e com Wilson Bonacin mas eles não foram localizados. A reportagem esteve na prefeitura durante a tarde, esteve na casa e na chácara do prefeito em exercício mas ele não estava em nenhum desses locais.


