Viagens são administrativas, diz FHC
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
O secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge, disse ontem ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Ilmar Galvão, que o presidente Fernando Henrique Cardoso não está em campanha e que as viagens aos estados são administrativas. Em 40 minutos de conversa, Eduardo Jorge transmitiu um recado incisivo de FHC a Galvão para tentar afastar eventuais problemas com a Justiça Eleitoral na virtual candidatura à reeleição.
O Palácio do Planalto transformou o encontro em uma resposta pública a declarações recentes do ministro em defesa da fiscalização do uso da máquina administrativa pelos partidos da oposição, candidatos e membros do Ministério Público. Menos de duas horas após Eduardo Jorge deixar o gabinete de Galvão, no Supremo Tribunal Federal, o Planalto divulgou nota à imprensa em que deixa clara a intenção de afastar qualquer mal-entendido sobre o comportamento do presidente como pré-candidato.
Segundo a nota, Eduardo Jorge esclareceu que as viagens administrativas do presidente da República seguem um padrão definido desde o início do governo, padrão esse que não guarda qualquer relação com campanha eleitoral.
O ministro confirmou a preocupação com o uso da máquina administrativa em todos os níveis, inclusive pelos governadores que pretendem disputar a reeleição. A imprensa são os olhos da nação. Ao noticiar (supostas irregularidades), leva ao conhecimento dos interessados, como partidos da oposição, candidatos e Ministério Público, disse. Desde que assumi o cargo, em junho de 1997, tenho pregado que os interessados apresentem denúncias à Justiça Eleitoral.
Galvão negou que, na condição de presidente do TSE, tenha críticas ao comportamento do candidato FHC, mas não quis falar como cidadão. Sou juiz, tenho que ter ética de juiz. Não posso pôr em dúvida as viagens do presidente. Como cidadão, o problema é meu. Ele lembrou que a campanha e a propaganda eleitorais só estão autorizadas a partir de 6 de julho. Disse que até 4 de julho o presidente e os demais candidatos à reeleição podem participar de inaugurações. O presidente tem tido o cuidado de não transformar as inaugurações (de obras) em comícios. Galvão disse que até abril vai procurar FHC para apresentar dados sobre a ampliação do uso da urna eletrônica nestas eleições.
Ofensiva O PT vai usar a crise da energia elétrica no Rio para atacar o presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha. As quedas da energia elétrica fornecida pelas privatizadas Light e Cerj trouxeram esperanças de uma melhora do candidato das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva, na disputa com FHC pela Presidência da República. As constantes quedas de energia elétrica no Rio tiraram-nos de uma posição defensiva em relação às privatizações feitas pelo governo, e nos deram condição de assumir uma posição ofensiva, afirma o vice-presidente nacional do PT, Aloízio Mercadante.


