Curitiba - O procurador geral da República Claudio Fonteles negou, ontem em Curitiba, que haja qualquer desavença entre os órgãos que participam da força-tarefa que investiga a remessa de dinheiro ao Exterior via Banestado. Durante a divulgação das novas denúncias pelos procuradores, Fonteles afirmou que considera ''excepcional'' os resultados já obtidos através do trabalho conjunto e inédito no País do Ministério Público, Polícia Federal e parlamentares, através da CPI Mista que investiga o caso.
A viagem da força-tarefa para Nova York, entre os dias 28 de agosto e 6 de setembro, segundo o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, teve três objetivos e todos foram atingidos. Um deles era a obtenção de documentação referente à quebra de sigilo bancário de nove contas bancárias, já requeridas pelo governo brasileiro, e que dependiam de autorização do Departamento de Segurança americano. As autoridades americanas, de acordo com ele, já estão encaminhando todos os trâmites legais para que os documentos sejam enviados ao Brasil.
A força-tarefa também conseguiu autorização para ter acesso aos relatórios e investigações realizados pela entidade fiscalizadora de instituições bancárias americanas (OCC). Em Nova York, os procuradores também obtiveram mandado judicial para que o Itaú disponibilize os documentos referentes à agência do Banestado naquela cidade. A expectativa é chegar ao nome das pessoas que tinham contas no Exterior e os verdadeiros ''donos do dinheiro''.
Outro ponto positivo, segundo o procurador da República Vladimir Barros Aras, foram as parcerias estabelecidas com o Ministério Público dos Estados Unidos, de Nova York e FBI. Através destes contatos, durante a viagem a força-tarefa teve acesso a documentos sobre a quebra de sigilo de contas de uma das principais receptoras de dinheiro da agência do Banestado em Nova York, a Beacon Hill. São cerca de 100 mil documentos referentes a sub-contas constantes de 354 caixas, e um CD-Rom com informações sobre mais de 1 milhão de transações bancárias. A maior parte das sub-contas são de doleiros, casas de câmbio e off-shores. A estimativa é que a movimentação na conta da Beacon Hill tenha chegado a US$ 3,5 bilhões.

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