O governador Jaime Lerner (PFL) vai se ausentar do País entre os dias 7 e 14 de fevereiro próximo. Lerner viaja para os Estados Unidos, para cumprir uma série de compromissos, dentre os quais, uma conferência junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Washington. A vice-governadora Emília Belinati (PTB) responde pelo governo interinamente. Essa é a primeira vez que a vice assume o Palácio Iguaçu depois de oficializado seu rompimento político com o governador, no dia 1º de janeiro desse ano.
A Casa Civil deve encaminhar ainda nessa semana o pedido de autorização para Assembléia Legislativa. Como os deputados estão em recesso, o presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), deve autorizar a viagem e referendá-la posteriormente. Num primeiro momento, Lerner vai só para os Estados Unidos. A Folha apurou ontem que ele está propenso a não aceitar o convite da cidade japonesa de Himeji que no dia 17 entrega título de cidadão honorário ao prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL).
O roteiro completo da viagem do governador é mantido sob sigilo. Lerner deve fazer uma parada em Nova York, onde mora a filha bailarina Andrea. Ele reuniu-se ontem com o cerimonial do Palácio Iguaçu para acertar os detalhes a transmissão de cargo para a vice. Emília passou o dia fora. A mulher do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), percorreu municípios da Região Metropolitana de Curitiba, de ouvindo as reivindicações e deficiências dos municípios contadas pelos prefeitos municipais.
Atento a uma eventual mudança de comportamento da vice, durante a sua ausência, Lerner dedica os seus últimos 10 dias no Paraná para dissipar ao máximo quaisquer divergências. Aníbal Khury tinha uma conversa agendada com Emília Belinati ontem. O deputado vem trabalhando pelo reatamento das relações entre os dois, azedadas, dentre outras coisas, no dia 21 de dezembro do ano passado, quando Lerner anunciou o secretariado que vai administrar o governo do Paraná nos próximos quatro anos.
De lá para cá, Lerner e Emília travam uma guerrinha psicológica. Nos eventos públicos eles mal se falam. A vice-governadora não aceita intermediários, e é fomentada pelo prefeito de Londrina, que está de olho na sucessão estadual de 2002, a se rebelar. Emília Belinati quer que o governo do Estado mude a imagem imprimida nesses primeiros quatro anos de gestão. Lerner, por outro lado, sinaliza que não está disposto a ceder a pressões. Essa não é a primeira vez que a família Belinati se rebela.

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