Viagem à China terá comitiva recorde
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sábado, 15 de maio de 2004
Claudia Trevisan<br> Agência Folha 
Pequim, China - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia sua primeira viagem oficial à China no próximo domingo acompanhado pela maior caravana de empresários já presente no exterior. Grandes negócios, porém, estão fora da pauta do dia: à exceção de um acordo a ser anunciado por Lula na área de petróleo, a comitiva só fará contatos iniciais com os chineses.
Na prática, a turma que deve tentar expandir as marcas de empresas brasileiras lá fora chega a Pequim em meados de junho. ''Quem tem pretensão comercial na China tem de ir com Lula a Pequim. É importante estar com quem está abrindo o caminho comercial'', afirma José Eduardo de Lima Pereira, diretor de assuntos corporativos da Fiat do Brasil.
A Fiat será representada na comitiva por Roberto Vedovato, presidente da empresa no Brasil. Em 2003, a Fiat já exportou US$ 44 milhões para a China entre produtos fundidos e carros. A meta da montadora é vender mais carros para os chineses. ''Nós vamos para lá com o Furlan (Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento), em junho. Então vamos tentar fechar alguma coisa. Agora, deve ir o presidente da associação, que viaja para nos representar'', afirma Edmundo Aires, diretor da Abia, entidade da indústria alimentícia.
Segundo o empresário Mário Garneiro, a comitiva vai ''abrir caminho'' para o grupo que chega à China daqui a cerca de um mês. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não mandará representante nessa primeira turma de empresários. Só viaja à China em junho.
Até sexta-feira, 480 empresários haviam se inscrito no Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty para participar da comitiva presidencial. O número deve diminuir quando a rodada de reconfirmações for concluída, nesta semana. Mas, ainda que caia à metade, o grupo continuará sendo recorde. Normalmente, as missões empresariais que acompanham viagens presidenciais não passam de 80 integrantes. O único acordo da viagem deverá ser entre a Petrobras e a Sinopec um conglomerado chinês de petróleo. O objetivo é explorar petróleo na China.
''Os brasileiros querem ter um pé nesse mercado de 1,3 bilhão de pessoas'', diz o conselheiro Pedro Paulo Taunay, do Departamento de Promoção Comercial, que está em Pequim preparando a programação dos empresários. Com crescimento médio de 9,3% nos últimos 26 anos e um imenso mercado consumidor, a China parece materializar a promessa de lucros garantidos, mas a aventura local nem sempre é fácil para estrangeiros. Há relatos de empresas que amargam prejuízos há anos ou que foram surpreendidas pela apropriação de sua tecnologia por seu parceiro chinês.


