Via Campesina acampa em frente a fazenda de Lupion
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segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Cerca de 300 pessoas ligadas ao movimento Via Campesina, acamparam ontem no acesso à Fazenda Santa Rita, em Santo Antonio da Platina (cidade-pólo/Norte Pioneiro), de propriedade do deputado federal Abelardo Lupion (PFL).
Segundo nota distribuída à imprensa, o movimento visa cobrar o encaminhamento das denúncias veiculadas pela imprensa de que Lupion teria beneficiado diretamente duas transnacionais do agronegócio através de emendas parlamentares. O movimento ainda acusa o deputado de ter comprado a fazenda de uma transnacional por um terço do valor de mercado.
O documento relata que uma das representações teriam sido protocoladas na Câmara dos Deputados por cinco partidos pedindo a instauração de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A segunda representação teria sido apresentada pelo Fórum Brasileiro pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, para investigação de suposta prática de improbidade administrativa.
Além dessas representações, o movimento também cobra o andamento de uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF), para que fossem apuradas supostas irregularidades nas contas da campanha de 1998.
''Os integrantes da Via Campesina acampados à frente da fazenda, com base nas graves acusações citadas e vítimas da truculenta ação contra os trabalhadores rurais sem-terra, reivindicam que Abelardo Lupion seja cassado pelos crimes cometidos contra o patrimônio público, o povo brasileiro e a soberania nacional'', diz trecho da nota.
O deputado negou veementemente todas as acusações feitas na nota da Via Campesina. Assim que soube do acampamento - a quatro quilômetros da porteira da propriedade - Lupion se dirigiu até lá onde aguarda a decisão de um interdito proibitório ajuizado na Justiça, para impedir que a fazenda seja invadida. ''Estou na propriedade recebendo a solidariedade dos produtores rurais que estão começando a chegar. Até amanhã, deverão ser de 100 a 200 produtores. Essa história do glifosato não beneficia ninguém porque é de domínio público, qualquer empresa pode produzir o glisofato. A emenda que eu entrei não foi nem aceita'', rebateu. ''Falaram que eu tenho um processo no Supremo e é mentira. Eles fizeram uma denúncia e não foi aceita no Supremo. As minhas contas de campanha foram aprovadas e ninguém nunca fez nem ivestigação. As denúncias na Câmara contra mim não foram aceitas porque não têm procedência, e a fazenda eu comprei em uma licitação pública. Não tem dinheiro público'', defendeu-se Lupion.
O deputado considera o ato da Via Campesina como político. ''É um fato político que criaram hoje porque eu aprovei na CPI da Terra o meu relatório que classifica a invasão de terra como sequestro e o direito de ir e vir como crime hediondo e, segundo, porque pedi o indiciamento dos líderes das duas cooperativas deles por desvio de dinheiro público'', afirmou.
Segundo Lupion, a fazenda onde cria gado Nelore e produz soja, é considerada modelo. O deputado aguardava o julgamento do interdito proibitório ainda na noite de ontem. A reportagem tentou entrar em contato com um dos dirigentes do movimento, mas o telefone celular estava desligado. Através da assessoria de imprensa, a Via Campesina disse que não tem intenção de invadir a propriedade.


