BRASíLIA - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos descobriu mais um político na rede de hospedagem paga pelo Banco Vetor. Trata-se do ex-vice-prefeito de Londrina (PR), Assad Jannani. De acordo com faturas lançadas em nome do Vetor pela agência Fórmula Viagens e Turismo, Janani teve pelo menos duas despesas de hospedagem em hotéis da rede Meridien pagas pelo banco. A agência Fórmula pertence a Ana Cristina Vilaça, mulher de Fábio Nahoum, um dos sócios do Vetor.
De acordo com as faturas obtidas pela CPI, Jannani gastou R$ 277,97 no Le Meridién, pagos em 1º de abril de 1996. Mais tarde, em 23 de abril, foi paga outra fatura, no valor de R$ 224,15. A primeira despesa foi feita dia 26 de março e a segunda no dia 19 de abril de 96. As faturas obtidas pela CPI não especificam em qual dos ois hotéis da rede Jannani se hospedou. Há um Le Meridién em Salvador e outro no Rio.
Na época que que Jannani se hospedou por conta do Vetor, a Prefeitura de Londrina trabalhava no lançamento de debêntures, lastreadas em ações da companhia telefônica do município, o Sercomtel, da qual o ex-prefeito era presidente. O negócio foi interrompido por uma ação judicial. Participar do lançamento de debêntures é uma das especialidades que o Vetor enumera em seu portfólio. A agência que cuidou da hospedagem do ex-vice-prefeito é a mesma que providenciou o aluguel de um carro para Nicéa Pitta, mulher do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, em março de 96.
A informação de que o Banco Vetor financiou hospedagens do ex-prefeito londrinense foi divulgada às 21 horas. Assad Jannani não pôde ser localizado até o fechamento desta edição.
Neiva O ex-assessor técnico da Secretaria de Finanças de São Paulo Pedro Neiva Filho, em carta ao senador Bernardo Cabral, disse ontem que Nicéa Pitta, mulher do prefeito Celso Pitta (PPB), não sabia que o carro utilizado por ela no ano passado, da empresa Localiza, estava sendo pago pelo Banco Vetor. Ele assumiu a responsabilidade pelo aluguel, embora admita que procurou atender a um pedido de Nicéa.
‘‘Na verdade, aluguei-o (o carro) para atender a um pedido da Sra. Nicéa, que precisava ajudar um parente seu, que estava doente e precisava fazer exames médicos em São Paulo, por causa de um câncer na perna’’, declarou, num documento manuscrito de cinco páginas.

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