Veto presidencial desagrada Congresso
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá enfrentar dificuldades para a aprovação de projetos de interesse do governo durante a convocação extraordinária do Congresso, em janeiro, por causa do veto à lei que anistiava multas eleitorais, beneficiando dez governadores, 69 deputados e 20 senadores. O próprio ministro da Casa Civil, Pedro Parente, admitiu que possa haver dificuldades no relacionamento com o Congresso. Ele disse que alertou o presidente quanto ao problema.
É cedo para antecipar problemas objetivos e concretos de forma generalizada no Congresso, disse Parente. Ele ressaltou que o fato de o presidente desagradar a Câmara e o Senado, apesar de criar dificuldades, não necessariamente trará represálias por parte dos parlamentares. Normalmente, o Congresso não gosta de vetos do presidente, mas supor que haverá represálias há uma distância enorme, disse Parente.
A reação, junto a parlamentares, também foi negativa. O veto pode agravar o clima de descontentamento da base, que já está cansada do tratamento que vem recebendo do governo, alertou o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PPE), representante do chamado baixo clero na Câmara. O presidente vai ter dificuldades, prevê o vice-líder do PFL, Pauderney Avelino (AM).
O governo considera prioridade a aprovação da proposta de Desvinculação da Receita da União (DRU), substituta do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), e do orçamento para o próximo ano. Severino Cavalcanti ressalta, no entanto, que o estado de espírito da base é de revolta com o tratamento que os deputados vêm recebendo de ministros de Estado. Ele citou Pedro Malan, da Fazenda, e José Serra, da Saúde. Os ministros estão de salto alto, queixou-se.
O pano de fundo da rebeldia da base é o contingenciamento orçamentário, que deixou os parlamentares sem verba para aplicar em projetos de seus Estados. Afinal, estamos aqui para isso: conseguir liberação de verbas para atender a comunidade, alegou Cavalcanti. O vice-líder do PFL acredita que a insatisfação da base aliada não se restringe a limitações orçamentárias. Há muita revolta também entre os deputados de primeiro mandato, que não apresentaram emendas ao orçamento, sustentou Pauderney Avelino. O governo tem sido politicamente insensível e não tem feito uma boa coordenação na Casa.
O vice-líder, porém, apoiou a decisão de Fernando Henrique de vetar a anistia das multas. Mesmo que venha a enfrentar problemas, o presidente optou pelo caminho mais certo, opinou. O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), lembrou que seu partido votou em bloco contra a anistia. A anistia foi dada pela base do governo e do jeito que ela está acostumada a troca-troca, podem ocorrer problemas, avaliou. O PT está pronto para trabalhar na convocação.
O presidente vetou pressionado pela repercussão negativa na mídia, disse o deputado e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA). Para o parlamentar, o presidente pode não ter tomado a decisão mais acertada. Sempre que há veto, arma-se um conflito, disse Aleluia, comparando o veto a um poder imperial.





