O veto do governador Jaime Lerner (PFL) ao projeto de lei que autorizava o Estado a criar a universidade Unescam em Campo Mourão foi o que faltava para ‘‘esquentar’’ a campanha eleitoral na cidade. Como a conquista da universidade era uma das bandeiras dos principais candidatos à prefeitura – o prefeito Tauillo Tezelli (PPS), que se licenciou do cargo, e o deputado estadual Nélson Tureck (PFL) – os dois agora brigam para ver quem falhou no caso.
Tezelli condena Tureck. ‘‘Ele é deputado estadual e deveria saber quando o projeto saiu da Assembléia e foi para a análise do governador’’, diz o prefeito, que descobriu o veto na quinta-feira de manhã, 20 dias após a decisão de Lerner. Desde quinta-feira, o prefeito em exercício, Márcio Nunes (PTB), não pára de fazer críticas a Lerner nas rádios. O objetivo é atingir Tureck, bastante ligado a Lerner.
Assessores próximos de Tezelli também ironizam o fato de Tureck, mesmo sendo do PFL, não ter sensibilizado Lerner sobre o projeto e do veto ainda sair perto da eleição. ‘‘Além de tudo, o deputado demonstrou que é mal assessorado’’, disse um assessor que não quer ser identificado. ‘‘A assessoria tem que acompanhar diariamente a tramitação de um projeto da sua região.’’
Tureck disse ontem à Folha que também só ficou sabendo do veto do governador na quinta-feira. ‘‘A minha parte de deputado eu fiz’’, afirmou. ‘‘Assumi a Assembléia em maio e em junho o projeto já estava votado e aprovado.’’ A proposta foi apresentada em julho do ano passado pelo então presidente da Assembléia, Aníbal Khury, que morreu 27 dias depois. ‘‘Se não fosse eu ter assumido, o projeto estaria engavetado até hoje’’, disse.
No horário eleitoral de ontem, Tureck falou sobre o assunto e disse que vai votar pela derrubada do veto. Ele afirmou que o projeto foi vetado por ‘‘razões técnicas’’. Mas atacou Tezelli. Tureck disse que o prefeito publicou matéria paga na imprensa local, no dia 27, dizendo que era o responsável pela criação da Unescam. ‘‘Mas o projeto já estava vetado 10 dias antes.’’
O deputado estava se referindo a um informe publicitário da coligação de Tezelli onde a diretora da Fecilcam, Sinclair Pozza Casemiro, apareceu ao lado do prefeito dizendo que ele era o principal responsável pela criação da universidade. O anúncio já fazia parte da ‘‘briga’’ entre Tezelli e Tureck pela ‘‘paternidade’’ da Unescam. ‘‘Quando o projeto estava aprovado, o mérito era deles. Agora, que foi vetado, a culpa é minha?’’, questiona Tureck.
Gilberto Santana de Alencar (PT) candidato a vice de Chico do PT, disse ontem que o partido é o único dos três locais que não apoiou a reeleição de Lerner e que não vinha fazendo campanha à custa da Unescam. Alencar lembra que, mesmo que tivesse sido sancionado, o projeto não teria data para ser implantado.

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