Vereadores votam a negar cala-boca
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Janaina Garcia e Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Acusados pelo ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido), em junho, de integrarem o esquema de um suposto ''mensalinho'' de R$ 1,6 mil pago, ''de forma preventiva'', pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), os vereadores Sidney de Souza (PTB), Gláudio Renato de Lima (PT) e Jamil Janene (PMDB) afirmaram ontem que eventuais críticas recebidas por usuários do serviço são acolhidas, por eles, na forma de requerimentos à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia a concessão do transporte público na cidade.
O trio foi ouvido pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, dentro da segunda rodada de depoimentos do inquérito que apura a existência ou não da suposta mesada. Conforme Bonilha, a verba seria distribuída pela TCGL a ele próprio e a mais 10 vereadores como uma espécie de ''cala-boca'' ante críticas que chegassem à Casa, por parte de usuários do transporte - sobretudo em relação ao preço da tarifa. Além de Souza, Gláudio e Jamil, serão ouvidos hoje Sandra Graça e Marcelo Belinati (PP), de manhã, e os vereadores afastados Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC), à tarde. O depoimento do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), aguardado para ontem, foi transferido para a próxima segunda-feira ante o comunicado de que ele estaria fora de Londrina.
Primeiro a depor, pela manhã, o presidente da Câmara negou envolvimento na situação apresentada por Bonilha - Souza classificou de ''infundadas'' as denúncias, uma vez que, alegou, as decisões sobre o funcionamento do transporte coletivo ''não são competência da Câmara''. ''Não existem fatos que justifiquem essa cobrança. O vereador não têm influência, quem toma as decisões sobre o transporte coletivo é o Executivo.'' O petebista afirmou também que, ''informalmente'', ouve reclamações diárias de usuários do serviço. ''Se ouvir que o ônibus estava cheio às seis horas da tarde é reclamação, então eu ouço. Mas não é competência da Câmara tratar disso, a não ser por requerimentos enviados ao Executivo'', comentou.
O líder do Executivo também refutou a acusação do ex-companheiro de plenário. ''Nunca participei, nunca recebi, nunca me foi oferecido nessa questão, nem em nenhuma outra questão'', disse Gláudio. Questionado se recebia críticas sobre o transporte, respondeu: ''As que chegam para mim encaminho à CMTU. Já consegui respostas para alteração de itinerário e problemas de superlotação e atraso, por exemplo''. Jamil adotou discurso semelhante ao do petista: ''Com certeza não participei de nada, isso é vingança política do Bonilha contra mim, fui oposição a ele em sete anos e meio''. Sobre as manifestações de usuários, citou: ''Vieram algumas sobre mudança de ponto de ônibus, demora, mas fiz requerimento de tudo isso e mandei à CMTU. Tudo que veio até mim, cobrei''.
O delegado informou que os depoimentos de ontem ''apresentaram versões bastante semelhantes: disseram desconhecer esse tipo de vantagem indevida, ou mesmo que a tenham recebido''. ''Mas qualquer juízo de valor nesse momento é precipitado'', concluiu Flore, que aguarda para os próximos dias perícia em material apreendido na TCGL e em outras localidades.


