Vereadores vão estudar contas da Prefeitura
Desde terça-feira tentando localizar o prefeito Nedson Micheleti (PT) para tratar da greve no funcionalismo, não foi ontem que a Câmara de Vereadores de Londrina conseguiu o feito. Depois de o prefeito tornar pública, de manhã, a posição de que não aceitaria intermediação da Casa em uma eventual reunião entre Executivo e sindicato, à tarde na sessão o clima era de frustração por parte de alguns vereadores, e quase de resignação, por parte de outros.
Mesmo assim, o Legislativo aprovou um requerimento da comissão de Trabalho - que intermediaria as conversas - em que solicita à Controladoria da Câmara uma série de estudos sobre os números do Executivo. Entre os pontos para análise, estão perguntas sobre a evolução da receita e da despesa do Município, de 2004 a 2006, bem como a evolução das despesas com pagamento de pessoal nesse mesmo intervalo.
Outro ponto de dúvida é quanto aos valores relativos ao Sistema Único de Saúde (SUS) transferidos prela União e constantes ou não na Receita Corrente Líquida (RCL). Considerada essa verba, ano passado a prestação de contas da Prefeitura ao Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR, que determinou a retirada desse recurso da RCL) fechou em 46,09% de gastos da receita com pessoal, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) autoriza até 54%. Segundo a administração, contudo, o ''índice real'', contestado pelo Sindserv, está hoje em mais de 57%.
O controlador da Câmara, José Alfredo de Paula Junior, explicou que a LRF não cita a verba do SUS como recurso a ser excluído dos gastos com pessoal. ''Precisamos efetuar esse estudo para ver se há ou não possibilidade de a Prefeitura apresentar um índice. Mesmo assim, a gente precisa de balancetes consolidados de anos anteriores e deste ano, levantados no setor de contabilidade do Executivo, mas a greve de certa forma prejudica essa tarefa'', analisou Paula Junior, para quem a principal informação a ser obtida é quanto se arrecadou de impostos até 31 de julho passado.
O presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), se disse frustrado com a posição do prefeito em não aceitar a intermediação da Casa. ''Lamento isso tudo, pois ele age da mesma maneira que na greve de 2005.'' Presidente da comissão de Trabalho, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) se mostrou menos decepcionado. ''Acho que deveriam sentar e conversar, e sei que se for outro assunto que não reajuste, ele (Nedson) vai falar comigo'', disse. (J.G.)





