Sem o risco de perder o mandato por causa da infidelidade partidária, vereadores londrinenses já admitem deixar os partidos pelos quais foram eleitos, aproveitando a janela aberta pelo Congresso Nacional, com base na minirreforma eleitoral aprovada no ano passado. Cinco, pelo menos, falam abertamente sobre o tema. Entre as siglas com representantes no Legislativo local, PMN, PSL, PSDB, PDT correm risco de perder nomes. A janela fica aberta até o dia 19 de março.
As migrações são feitas com a calculadora na mão, considerando a previsão feita até agora para o quociente eleitoral – divisão dos votos válidos pelo número de vagas disponíveis – entre 14 mil e 15 mil votos. Vice-presidente estadual do PSDB e cacique da legenda em Londrina, o deputado federal Luiz Carlos Hauly afirmou ser contra a "janela da infidelidade". Contudo, admite que "se ficar fraco, o partido não faz vaga nenhuma". Recentemente, o PSDB filiou o vereador Gustavo Richa, dissidente do PHS.
Com a mudança nos prazos para as eleições municipais, a redução no tempo da campanha e o corte no financiamento privado, as legendas tentam atrair pré-candidatos que já tenham uma trajetória na política, especialmente aqueles com mandato, para composição da chapa que vai para a disputa proporcional.
Péricles Deliberador (PMN) não descarta a mudança. "Estamos analisando. É necessário estar filiado a um partido, mas entendo que o partido não pode mandar na opinião de quem foi eleito", revelando insatisfação com as articulações feitas pelas lideranças da legenda para as eleições.
O vereador Vilson Bittencourt (PSL), que já havia disputado duas eleições pelo PT antes de ser eleito, também deve desembarcar em outra agremiação nos próximos dias. "Na realidade estou sendo sondado por alguns partidos. O PSL teve várias evasões e isso vai pesar significativamente na minha decisão."
Gaúcho Tamarrado (PDT) revelou que a desorganização do partido vai comprometer o desempenho nas próximas eleições. Desde que o ex-prefeito Barbosa Neto deixou a presidência do diretório, o PDT tornou-se inativo. Gaúcho admite que vai sair do partido, mas não revelou para aonde vai. "Esse ano a eleição vai ser difícil, até pelo descrédito da política", comentou. Tentando reativar o PDT, o vereador Roberto Fu (PDT) reconhece que "a situação não é confortável", mas negou deixar a sigla.
A vereadora Lenir de Assis (PT) afirmou que o partido está registrando mais entradas do que saídas, mas negou convites a outros vereadores. Ela reconhece que "a conta para eleger ao menos dois vereadores não é fácil, mas o partido tem dado preferência para os militantes que têm história de luta na legenda".
Já no ninho tucano, Amauri Cardoso (PSDB), que já recebeu alguns convites, inclusive do PMDB, não esconde a insatisfação. "Acho que as discussões partidárias têm que ser feitas aqui, sem interferências do comando estadual no diretório local. É preciso ter esse respeito." Sem citar nomes, Cardoso se refere à entrada de Gustavo Richa, coordenada pelos tucanos estaduais.

FORASTEIROS
Por outro lado, a preocupação dos partidos com as migrações durante a janela é com os ânimos internos entre os filiados que pretendem ser candidatos. A interpretação é de que a vantagem vai ficar para os vereadores forasteiros, que acabam fazendo mais votos e ficam mais próximos de conseguir uma cadeira. "Tenho ouvido isso mesmo. O líder do partido faz o convite mas avisa que ainda vai passar pelo crivo dos demais filiados, porque à vezes causa algum desconforto internamente", afirmou Vilson Bittencourt. "Antes eu pensava que era difícil ser eleito, mas agora eu vejo como é mais difícil ainda ser reeleito", comparou.
O deputado federal Marcelo Belinati (PP), líder do partido em Londrina, descartou campanha de filiação de puxadores de votos. "Não há convites para outros vereadores, até porque grande parte da Câmara tem demonstrado uma posição de apoio à administração municipal. Talvez, agora com a abertura da janela, alguém resolva nos procurar, mas aí teremos que ouvir os nossos filiados no partido, questão de respeito."
O presidente do PMDB, João Mendonça, revelou que já fez convites a outros vereadores. Ele também sabe que a única representante do partido, Elza Correia, é sondada por outras siglas nessa janela. "Tem candidato que pensa em procurar um partido fácil para se eleger, mas a eleição deve ser uma construção feita com o tempo, durante todo o ano, com trabalho junto à comunidade."

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