Vereadores tiram 77% dos subsídios
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quinta-feira, 29 de junho de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Os nove vereadores de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão) que forem eleitos agora vão tomar posse, em janeiro, com um subsídio cerca de 77% menor do que o atual. O projeto de lei que definiu a redução foi aprovado ontem, por unanimidade, em segunda votação. O subsídio cai de R$ 1,3 mil para R$ 302.
O vereador trabalha pouco e não justifica um salário tão alto, disse o presidente Genésio Marques de Souza (PPS), autor da proposta. A Câmara só se reúne uma vez por semana e as sessões não duram mais do que uma hora, completou. Segundo ele, um salário maior só se justificaria para fazer assistência social. Mas essa não é a função de um vereador, disse.
Os vereadores também reduziram o salário do próximo presidente da Casa de R$ 2,3 mil para R$ 453; do prefeito de R$ 6 mil para R$ 4.921,00 e do vice-prefeito de R$ 1,3 mil para R$ 302. Acho que o novo salário será pouco, mas votei junto com a maioria, disse o vereador Olímpio de Oliveira Caetano (PRTB). Segundo ele, a redução vai forçar a prefeitura a melhorar o atendimento da saúde. Os vereadores não terão mais como ajudar.
A menos de 15 quilômetros de Araruna, em Peabiru a Câmara de Vereadores aprovou aumento de 30% para os futuros vereadores. O subsídio, que hoje é de R$ 1.097, vai para R$ 1,4 mil, num reajuste aproximado de 28%. Não houve aumento real, afirmou o presidente da Câmara, Edvaldo Dantas de Andrade (PST). O salário dos vereadores não tem reajuste há três anos, completou.
O salário do presidente da Câmara vai de R$ 1,9 mil para R$ 2,1 mil, o do prefeito de R$ 4,63 mil para R$ 5,5 mil e o do vice-prefeito de R$ 900 para R$ 1,4 mil. Em Campo Mourão, a Câmara manteve do salário dos próximos vereadores em R$ 1,8 mil e do próximo prefeito em R$ 5,3 mil. O salário do futuro vice-prefeito também ficou inalterado: R$ 158,34. Ninguém quis falar em aumento às vésperas da campanha, disse o presidente José Eugênio Maciel (PPS).
Técnicos legislativos ouvidos pela Folha, no entanto, entendem que a definição dos salários dos futuros vereadores pode estar sendo inútil. É que a emenda constitucional 25, que entra em vigor no dia 1º de janeiro, vincula o salário dos vereadores ao vencimento dos deputados estaduais. Em municípios de 10 mil a 50 mil habitantes, por exemplo, como os casos de Araruna e Peabiru, o salário dos vereadores seria fixado em 30% do vencimento de um deputado, o que equivaleria a cerca de R$ 1,8 mil.


