Os nove vereadores de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão) que forem eleitos agora vão tomar posse, em janeiro, com um subsídio cerca de 77% menor do que o atual. O projeto de lei que definiu a redução foi aprovado ontem, por unanimidade, em segunda votação. O subsídio cai de R$ 1,3 mil para R$ 302.
‘‘O vereador trabalha pouco e não justifica um salário tão alto’’, disse o presidente Genésio Marques de Souza (PPS), autor da proposta. ‘‘A Câmara só se reúne uma vez por semana e as sessões não duram mais do que uma hora’’, completou. Segundo ele, um salário maior só se justificaria para fazer assistência social. ‘‘Mas essa não é a função de um vereador’’, disse.
Os vereadores também reduziram o salário do próximo presidente da Casa de R$ 2,3 mil para R$ 453; do prefeito de R$ 6 mil para R$ 4.921,00 e do vice-prefeito de R$ 1,3 mil para R$ 302. ‘‘Acho que o novo salário será pouco, mas votei junto com a maioria’’, disse o vereador Olímpio de Oliveira Caetano (PRTB). Segundo ele, a redução vai forçar a prefeitura a melhorar o atendimento da saúde. ‘‘Os vereadores não terão mais como ajudar.’’
A menos de 15 quilômetros de Araruna, em Peabiru a Câmara de Vereadores aprovou aumento de 30% para os futuros vereadores. O subsídio, que hoje é de R$ 1.097, vai para R$ 1,4 mil, num reajuste aproximado de 28%. ‘‘Não houve aumento real’’, afirmou o presidente da Câmara, Edvaldo Dantas de Andrade (PST). ‘‘O salário dos vereadores não tem reajuste há três anos’’, completou.
O salário do presidente da Câmara vai de R$ 1,9 mil para R$ 2,1 mil, o do prefeito de R$ 4,63 mil para R$ 5,5 mil e o do vice-prefeito de R$ 900 para R$ 1,4 mil. Em Campo Mourão, a Câmara manteve do salário dos próximos vereadores em R$ 1,8 mil e do próximo prefeito em R$ 5,3 mil. O salário do futuro vice-prefeito também ficou inalterado: R$ 158,34. ‘‘Ninguém quis falar em aumento às vésperas da campanha’’, disse o presidente José Eugênio Maciel (PPS).
Técnicos legislativos ouvidos pela Folha, no entanto, entendem que a definição dos salários dos futuros vereadores pode estar sendo inútil. É que a emenda constitucional 25, que entra em vigor no dia 1º de janeiro, vincula o salário dos vereadores ao vencimento dos deputados estaduais. Em municípios de 10 mil a 50 mil habitantes, por exemplo, como os casos de Araruna e Peabiru, o salário dos vereadores seria fixado em 30% do vencimento de um deputado, o que equivaleria a cerca de R$ 1,8 mil.

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