Os vereadores José de Almeida Salles (PDT) e Victor Bueno dos Santos (PSC), afastados da Câmara Municipal de Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) desde quarta-feira, devem entrar com recurso para recuperar os mandatos. O afastamento foi solicitado por requerimento protocolado em ação civil pública na Vara Cível da cidade pelo promotor de justiça do município, Adriano Zampiere Calva. Os vereadores são acusados de improbidade administrativa e tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados. Foi determinada também a indisponibilidade de bens dos envolvidos.
Salles, que era presidente da Câmara, enfatizou que as acusações contra ele não procedem. Sobre a contratação de sua irmã e filha para ocuparem cargos na prefeitura, ele argumentou que elas fazem parte do quadro de funcionários. ''É cargo de confiança'', acrescentou. Ele também negou que tenha se apropriado indevidamente de diárias. ''Quando fui para Itapema (SC), foi para fazer um congresso sobre improbidade administrativa e uma resolução na Lei abrange o pagamento de diárias nesses casos'', declarou. A respeito do possível desvio de itinerário na volta, o vereador declarou que o Poder Legislativo tem um trabalho independente e por isso ''precisa ter liberdade para agir''.
A ação apontou que Santos também teria ido nessa viagem a Itapema em um carro separado. Salles disse que estava em Curitiba e por isso eles foram em dois veículos. Os dois vereadores viajaram ontem para Ponta Grossa. Segundo Salles, eles foram ver alguns documentos na cidade para entrar com o recurso.
A Folha tentou contato com Santos mas ele não retornou às ligações. Em sua casa, seu genro e sua filha informaram que ele não estava e que teria ido para Ponta Grossa e Curitiba. Eles também informaram que Santos teria deixado o telefone celular em casa carregando. Além dos vereadores, outros seis funcionários também foram afastados, incluindo a filha e a irmã de Salles.
Carlos Alberto Merhy (PP) assumiu a presidência da Câmara de Telêmaco Borba ontem. Os suplentes que vão assumir as vagas dos vereadores afastados são João Ernesto Ribeiro (PT) e Mauri Constantino (PSC). Eles têm um prazo de 15 dias para tomar posse.

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