Quatro anos depois de a população de Londrina ter vetado a venda da Sercomtel Celular, no plebiscito de 2001, novamente o assunto voltou a ser defendido em público dessa vez, por um grupo de vereadores. No grande expediente de ontem, argumentos econômicos deram o tom ao debate, com base em balancetes que apontam prejuízos tanto na Celular quanto na telefonia fixa, de janeiro a maio deste ano.
Com as planilhas em mãos, o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), explicou que uma análise contábil feita pelo departamento financeiro da Casa apontam déficit de R$ 540 mil na Fixa e de R$ 833 mil na Celular, no período de cinco meses. Bonilha não foi taxativo quanto a venda, mas titubeou depois de afirmar que os resultados demonstram ''preocupação urgente com a saúde financeira'' da empresa. ''A princípio, acho que não sou a favor da venda, mas se buscarem um paliativo, ele que traga rentabilidade'', disse. No plebiscito de 2001 Bonilha foi favorável à venda da Celular. Pouco depois da exposição dos números, Bonilha assinou o pedido de informações em regime de urgência aprovado em votação, na sequência direcionado ao Executivo. Nele, é questionado desde o planejamento estratégico da empresa, até as razões para os saldos negativos de 2005.
Líder do prefeito na Câmara, o petista Gláudio Renato de Lima não só defendeu a venda da empresa ''a única de telefonia municipal do mundo'', atestou , como defendeu a não realização de novo plebiscito para tal. ''Creio que não tem que ter plebiscito nenhum. A questão é de mercado, não política, de ideologia. Tem que se analisar pelo interesse econômico'', justificou. Lima admitiu ter posição diversa do prefeito Nedson Micheleti e destacou que a venda seria positiva financeiramente, nesse momento. Entretanto, ele criticou gastos com as quatro empresas coligadas e com ''patrocínios equivocados''. ''Seria minimizar o problema pôr a culpa nisso e na criação de cargos comissionados. Além do mais, assisto pouco TV, mas gastar com determinados programas em certas emissoras e em certos horários de audiência baixa é, no mínimo, questionável'', considerou Lima.
Também favorável à venda, o vereador Reanto Araújo (PP) salientou que, caso isso ocorra, a comunidade teria de ser ouvida até em razão de uma lei criada no próprio Legislativo, que submetia à realização de plebiscito popular a venda da Sercomtel. ''O município tem que se desfazer enquanto há mercado interessado na compra da Sercomtel'', comentou Araújo.
Para Tercílio Turini (que se filia amanhã ao PPS), a venda não seria a solução para o saneamento fiscal da empresa ainda mais que, pelos balancetes, a Celular reistrou lucro de mais de R$ 3 milhões em 2004. ''É precoce falar agora em venda. O que tem que se falar é no ICMS que terão que pagar daqui dois anos e meio: se agora está difícil, imagina depois'', declarou, referindo-se à adesão da telefônica londrinense ao programa Paraná Bom Emprego, do Governo do Estado. Por meio dele, parte do imposto é abatido para que o empresário invista em novos postos de trabalho.
O valor é devolvido ao Estado quatro anos depois, corrigido. Pelos cálculos de Turini, com base em pedido de informações respondido a ele pela Sercomtel, até o final de 2005 mais de R$ 31 milhões terão sido descontados, para posterior devolução.

mockup