Vereadores se dão aumento de 60%
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Os vereadores de Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, vão se autopresentear antecipadamente neste Natal. Um projeto, encaminhado pela mesa da Câmara, está pedindo o reajuste de salários dos vereadores, secretários municipais, vice-prefeito e prefeito. A intenção é engordar os contracheques em até 60%. Se for aprovado, a alta será maior que a inflação acumulada nos últimos quatro anos (de 42,36%), medida pela Fundação Getúlio Vargas. A medida já está causando polêmica e uma reação negativa da sociedade, que pede ética por parte dos integrantes da Câmara.
Para embasar o reajuste, os 13 vereadores da Casa argumentam que a Constituição permite que os ganhos deles atinjam o teto de 40% dos rendimentos de um deputado estadual. Atualmente, os integrantes da Câmara ganham R$ 1,5 mil e querem R$ 2,4 mil. O projeto de lei defende também que o salário do prefeito passe a ser de R$ 5 mil, do vice de R$ 2 mil, e dos secretários seria de R$ 3 mil.
Uma alta dessas afetaria as finanças do município, questiona Leslie Moura, vereador eleito pelo PT. Integrante do Movimento pela Ética na Política, ele considera que o reajuste está desproporcional a realidade do município, que não consegue sequer aumentar o salário dos funcionários. Neste ano, o município arrecadou R$ 14 milhões. O orçamento para 2001 estima uma arrecadação de R$ 21 milhões.
O projeto seria votado ontem, mas uma emenda, pedindo uma alta de 30%, adiou a decisão para o dia 15 de dezembro. Mas não está descartada, que seja convocada uma sessão extraordinária para aprovar o projeto, diz o vereador Francisco Santos (PSDB). Autor da emenda que reduz os ganhos, Santos entende que os vereadores devem ganhar mais. Mas não é preciso chegar ao teto de uma só vez, afirma. Mensalmente, os vereadores de Fazenda Rio Grande realizam uma sessão por semana, que dura menos que uma hora.


