Vereadores são ouvidos no caso ''Shirogohan''
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
O inquérito policial que apura se houve pagamento de propina para aprovação de projeto de lei que beneficiou a Boate Erótica Shirogohan já conta com ''alguns elementos'' comprobatórios, além do depoimento do ex-vereador Orlando Bonilha. A declaração foi feita ontem pelo delegado Alan Flore, após o interrogatório de quatro vereadores acusados por Bonilha: Sidney de Souza (PTB), Gláudio Renato de Lima (PT), Pastor Renato Lemes (PRB) e o vereador afastado Luiz Calos Tamarozzi (PTB). Também são citados na denúncia os vereadores afastados Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido) e o ex-vereador Henrique Barros (sem partido). Bonilha admite ter recebido R$ 3 mil para permitir à boate a implantação de um motel anexo às suas instalações e disse que o ''cala-boca'' se estendeu aos oito colegas. A autoria do substitutivo que levou o assunto à Câmara é de Gláudio, Lemes, Bergamin, Araújo e Barros.
O delegado, questionado sobre os detalhes dos ''novos elementos'', disse que não poderia fazer ''antecipação''.''O inquérito está em curso ainda e há muitos depoimentos e diligências a fazer.'' Os quatro vereadores ouvidos ontem negaram irregularidades na tramitação do projeto de lei.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza, que até hoje não se pronunciou sobre a denúncia, suspendeu sua participação em uma entrevista coletiva convocada ontem pela assessoria da Câmara. Segundo seu advogado, Dely Dias das Neves, Souza teve que viajar a Curitiba para cumprir agenda oficial. Sidney foi citado no depoimento do proprietário da Shirogohan, Claudemir Mendes, como um dos articuladores do projeto - é quem lhe informava sobre o estágio das negociações. ''Não entendo o que vocês entendem por articulador'', rebateu o advogado durante a entrevista. De acordo com Neves, o pedido para aprovação do projeto partiu do secretário de Governo, Adalberto Pereira da Silva.
Renato Lemes, que também negou irregularidades, admitiu ontem que não sabia do que tratava o projeto quando assinou o pedido para que fosse levado ao plenário, em 2006. Questionado se há algum arrependimento, disse que deixará o julgamento para a sociedade. Gláudio de Lima afirmou que o projeto tramitou normalmente e que não ouviu falar sobre qualquer irregularidade até o caso chegar à imprensa. Tamarozzi não compareceu à coletiva na Câmara, alegando que está afastado. Questionado à saída de seu depoimento, disse que não participou da sessão que aprovou a lei. O secretário está de licença médica e não foi localizado.


