Vereadores são indiciados em novo inquérito
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sexta-feira, 09 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Os vereadores afastados Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB) foram indiciados ontem por concussão (extorsão por servidor público) e formação de quadrilha em inquérito policial que apura eventual cobrança de propina, no valor aproximado de R$ 125 mil, para permitir a aprovação da lei municipal 10.194, de 02/04/2007, que legalizou o condomínio fechado Estância Bom Tempo - na Zona Sul da cidade. Ontem, o vereador Osvaldo Bergamin prestou depoimento e, a exemplo de Renato Araújo, que foi interrogado na quinta-feira, negou a acusação. O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, confirmou os indiciamentos, mas não passou mais detalhes da investigação alegando que ela transcorre sob sigilo.
O inquérito policial foi instaurando após apuração prévia realizada por promotores do Gaeco. Segundo apurou a FOLHA, representantes do loteamento já confirmaram, em depoimento, a cobrança de propina. O inquérito está em fase final e deve ser entregue aos promotores na próxima semana para apresentação de ações cíveis e criminais.
Renato Araújo e Osvaldo Bergamin já são réus em ações ajuizadas pelo Gaeco neste ano por cobrança de propina para aprovação de leis municipais, duas delas relacionadas ao caso que deflagrou o escândalo na Câmara e que envolve os ex-vereadores Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (PR) e o vereador afastado Flávio Vedoato (PSC) - e duas ações no escândalo que ficou conhecido como a ''lista do Caldarelli'', em que a Câmara doou um terreno às margens do Lago Igapó I para o empresário Marcelo Caldarelli.
A lei que aprovou a formação da Estância Bom é de autoria de Araújo e Bergamin. A contrapartida da empresa para o município foi a pavimentação de ruas em áreas rurais onde os vereadores têm base eleitoral. As obras foram orçadas em R$ 400 mil - mas a empresa arrecadou aproximadamente R$ 525 mil com os moradores do empreendimento. A diferença entre os valores é que teria sido destinada aos vereadores. No inquérito, consta a informação de que Bergamin é quem teria recebido o dinheiro dos loteadores - em local ermo e durante a noite.
A aprovação da lei desconsiderou advertência da Comissão de Justiça da Câmara que apontou pelo menos três ilegalidades: ausência de certidão negativa junto à Fazenda Pública; inexistência de parecer do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul); e afronta à Lei Orgânica do Município que impede o Legislativo de criar despesas para o Executivo. Este último item se refere à exigência de que 388 m3 (cúbicos) de asfalto usados pela empresa para cumprir a contrapartida fossem doados pela própria prefeitura.


