Vereadores repudiam 'invasão' da Câmara no retorno das sessões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 

Na primeira sessão depois que a Câmara de Vereadores de Londrina teve o expediente suspenso por cinco dias, durante a ocupação por estudantes secundaristas, a maioria dos vereadores usou o grande expediente tempo reservado para debates sobre temas livres para repudiar a manifestação. De sexta (4) até o começo da tarde da última terça-feira (8), o grupo de adolescentes controlou e impediu o acesso de parlamentares e servidores na Casa, permanecendo no prédio nesse período apenas a equipe de vigilância. Ontem, com galerias vazias, a sessão transcorreu com tranquilidade.
As críticas mais contundentes partiram de Roberto Kanashiro (PSDB), encerrando o seu sexto mandato. Ele disse que pensou em renunciar, "pois acho que nunca vi algo tão grave em meus 24 anos nesta Casa, foram dias em que a cidade ficou sem o Legislativo". Kanashiro, que também preside a Comissão de Ética e não se candidatou à reeleição, lembrou de outros casos emblemáticos, envolvendo a Câmara, como parlamentares investigados e denunciados por corrupção. "Tivemos presidentes que tiveram problemas com a Justiça, mas sempre foi preciso atuar em defesa da Casa, este é um poder com o seu regimento interno e tem que ser respeitado", disparou ele, que não perdoou a direção da Câmara nem a Mesa Executiva, por terem feito um acordo com "um bando que não tinha um líder para conversar".
O presidente Fábio Testa (PPS), o professor Fabinho, um dos principais interlocutores com os estudantes durante a ocupação do prédio, reafirmou que o acordo feito para a saída deles na segunda-feira foi descumprido. Entretanto, ele evitou o conflito com Kanashiro. "Agradeço aos integrantes da Mesa pelo apoio nesse processo, sei que não dá para agradar a todos, mas tivemos um final sem violência." Roberto Fú (PDT) ganhou o apoio dos colegas ao chamar de "invasão o que aconteceu na Câmara". Ele foi o primeiro a chegar ao local na sexta-feira quando teve um corte no dedo depois de se envolver em uma confusão com os manifestantes.
Vilson Bitencourt (PSB) aproveitou para cobrar investigação sobre a denúncia feita pelos próprios adolescentes de que um homem teria oferecido dinheiro para entrar na Câmara durante a ocupação. "Eu cheguei a localizar o carro que os meninos tinham relatado, estacionado em um lava rápido, chamei a polícia e esperei por uma hora e meia e ninguém apareceu. Isso é muito sério, o que essa pessoa queria fazer aqui dentro?", questionou. Para Mário Takahashi (PV), os manifestantes não podem ser chamados de estudantes.
Lenir de Assis (PT) elogiou a desocupação sem violência e enalteceu a pauta de reivindicações dos estudantes, contra a PEC 55, no Senado, que congela os gastos e investimentos públicos por 20 anos; e a Medida Provisória (MP) 746, sobre a educação. Elza Correia (PMDB) preferiu não emitir "opinião pessoal" sobre a ocupação e relatou que acompanhou todo o processo, como vice-presidente da Mesa.
Apesar da ocupação, os estudantes não apresentaram, formalmente, pauta de reivindicação à Câmara, segundo a assessoria de imprensa da Casa.


