Vereadores renunciam para evitar comissão de inquérito
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A Câmara de Vereadores de São Jerônimo da Serra (Norte Pioneiro) recebeu anteontem as cartas de renúncia de José Jacir de Sampaio (PSB), Isac Pereira Martins (PPS) e Amarildo Alves Bueno (PR), cerca de meia hora antes do início da sessão ordinária em que seria discutido o recebimento de pedido de inquérito parlamentar contra o trio. Com o ato, as denúncias não foram acatadas porque perdem o objetivo.
Os três vereadores foram presos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por participação em um suposto esquema de corrupção comandado pelo ex-prefeito Adir dos Santos Leite (PSDB). Eles estavam afastados dos cargos públicos e respondem a ação na Justiça. O tucano já teve o mandato cassado pelo Legislativo.
Na sexta-feira passada, o oficial de Justiça Rodolfo Denora protocolou três representações na Câmara, pedindo a abertura de inquérito e posterior votação de pedido de cassação dos mandatos. Os pedidos foram analisados na tarde de anteontem para que os parlamentares pudessem votar o recebimento da denúncia.
A FOLHA tentou contato com o advogado dos ex-vereadores, Fábio Maximiniano, para saber o teor das renúncias, mas ele não foi encontrado. Com a formalização do ato, assumem em definitivo Alcidio Gabriel (PPL) e Ruy Moreira (PSDB), no lugar de Martins e Bueno, e Sidney Navarro Júnior (PT), na cadeira deixada por Sampaio.
O prefeito e os ex-vereadores foram presos devido à Operação Sucupira, realizada pelo Gaeco em agosto do ano passado. Durante as apurações, os investigadores identificaram notas fiscais superfaturadas, serviços particulares pagos com dinheiro público e repasses para a realização de serviços que não foram executados.
Quando deflagrada, foram cumpridos 18 mandados de prisão que incluíam, além dos vereadores, dois filhos de Adir e servidores da prefeitura. O próprio prefeito também foi preso por porte ilegal de arma, mas pagou fiança e foi liberado. Concluído o inquérito, o tucano e outros 39 foram indiciados por desvios de recursos públicos.


