Após mais de cinco horas de discussão, a Câmara de Vereadores rejeitou ontem à noite, por 11 votos a seis, o relatório final da Comissão Especial de Inquérito que investigava irregularidades no treinamento e na criação da Guarda Municipal (GM). O relatório foi escrito e assinado por dois, dos três vereadores que participaram da investigação, - Jairo Tamura (PSB) e Tito Valle (PMDB). O documento isentava o prefeito Barbosa Neto (PDT) pelas irregularidades ocorridas durante o treinamento e a contratação da empresa Delmondes&Dias. Já o relatório de Lenir de Assis (PT), que foi voto vencido, afirmava que Barbosa, como chefe do Executivo, teria responsabilidade nas irregularidades. Agora cabe à Mesa Executiva decidir se encaminha ao plenário a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito.
''Não vejo como uma derrota (a rejeição do relatório). Encaminhamos para o plenário porque o plenário é soberano'', afirmou Tamura.
Apesar do conteúdo dos dois relatórios ser praticamente o mesmo, o principal ponto de divergência está na responsabilização do prefeito.
Lenir afirma, por exemplo, que a empresa foi contratada irregularmente visto que o curso já havia começado a ser ministrado há quase dois meses, e ressalta que ''é evidente que o ato de improbidade se dá no fato de que não poderia ter sido feita contratação de uma empresa cuja previsão contratual era ministrar aulas em quantidade incompatível com o período restante para o término do curso''. Por esse motivo ela pede que seja ''aberta uma Comissão Processante para apuração de infração político-administrativa pelo Excelentíssimo Senhor Prefeito do Município''.
Sobre a licitação, a vereadora conclui que ''o curso de formação da GM se deu de forma irregular, sem certame licitatório para contratação dos instrutores, sendo que o processo licitatório se deu de forma a dar aparência de regularidade para prestação de serviço de formação da Guarda Municipal''.
Já o relatório assinado por Tamura e Valle salienta que ''várias atividades antecederam a licitação/contratação da empresa Delmondes'', mas ''não houve prejuízo ao Município de Londrina e tampouco prejuízo à formação dos guardas municipais, que mesmo antes da contratação da empresa, já vinham recebendo orientações. (...) Diante disso, é evidente que ocorreram irregularidades, mas ainda que a empresa Delmondes não tenha cumprido todos os itens previstos no contrato, há que se considerar que os instrutores prestaram serviços, ministraram as aulas e transmitiram conhecimentos de forma satisfatória aos alunos da guarda municipal''.
Os relatórios também citam as aulas de tiro, que foram pagas, mas não foram ministradas aos alunos da guarda. Nesse ponto, os três vereadores apuram responsabilidade dos ex-secretários Benjamin Zanlorenci (Defesa Social) e Marco Cito (Gestão Pública).
Além de Tamura e Valle, votaram pela aprovação do relatório Ivo de Bassi (PTN), Sebastião dos Metalúrgicos (PDT), Roberto Fu (PDT) e Roberto da Farmácia (PTC). Joel Garcia (PTN) não votou e Renato Lemes (PRB) estava ausente.

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