Vereadores rejeitam criação de voto distrital
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domingo, 03 de maio de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Vereadores de Londrina rechaçam a proposta do Senado Federal de instituir o voto distrital para vereadores em cidades acima de 200 mil eleitores. Para eles, a medida criaria a figura do vereador de bairro, limitando o compromisso que antes era com a cidade para apenas a região de atuação. Elza Correia (PMDB) diz que vereadores da região devem se unir para reverter a situação. Ela e outros parlamentares londrinenses defendem ser mais justo implantar o voto distrital para deputados federal e estadual.
O Projeto de Lei do Senado (PL) foi proposto por José Serra (PSDB-SP) e a expectativa é que valha já para o próximo pleito, no ano que vem. Pelo texto, a eleição para vereadores passa a ser feita de modo majoritário como ocorre com prefeitos, governadores, presidente e senadores ao invés do atual voto proporcional. No Paraná, a medida afeta também Curitiba, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel.
Mas a principal diferença é que partidos e coligações poderão registrar apenas um candidato e suplente, que só deverão receber votos de seus distritos, a serem delimitados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este é o maior motivo de queixa dos vereadores, já que a maioria contabilizou sufrágios em quase todas as regiões de Londrina.
O PLS também elimina o horário eleitoral gratuito para vereadores, já que seria impossível transmitir os programas por rádio e tevê específicos para as circunscrições dos distritos.
Na justificativa ao projeto, Serra afirma que a proposta é um início para a reforma política e elenca como vantagens a redução no número de candidatos, levando a uma suposta escolha mais racional para o eleitor, uma redução nos custos de campanha estimada em R$ 5 bilhões e maior proximidade entre eleitores e eleitos e, consequentemente, uma forma mais fácil de cobrar a atuação do parlamentar.
Para Elza Correia, a proposta de Serra é apenas uma forma de fingir que há uma reforma política, mas, como consequência, vai inviabilizar a eleição de quem não tem dinheiro para investir na campanha no modelo proporcional ainda em vigor, candidatos menos votados de partidos ou coligações podem ser eleitos pelo voto de legenda.
Ela acredita, ainda, que a medida vai criar mais dificuldades para as bases eleitorais dos próprios deputados, já que vereadores são o elo mais próximo com as demandas dos partidos e acabarão com área de atuação restringida, e que o modelo funciona melhor com parlamentares estaduais e federais. "Nós vamos reagir, vamos nos organizar com vereadores da Região Metropolitana de Londrina, do Norte Pioneiro e da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar)", adianta.
José Roque Neto (PR) também vê com receios a proposta porque pode facilitar a compra de votos, já que a área de atuação em campanha é bem restrita. Além disso, não sabe se a população, acostumada com o voto proporcional para vereadores, entenderia o modelo majoritário distrital. "Dá a impressão de que é interesse de deputados, como se os vereadores fossem seus secretários", avalia.
O voto distrital para vereadores, na visão de Lenir de Assis (PT), pode levar a um novo coronelismo, porque o sistema permite que todos os distritos elejam parlamentares de um mesmo partido ou coligação. Para ela, utilizar este modelo para eleger deputados pode ser mais interessante porque as regiões só votariam em seus representantes. "Hoje, os candidatos de fora vêm às grandes regiões, buscam votos e a região acaba sub-representada", afirma.
Um dos mais experientes da Casa, Roberto Kanashiro (PSDB), do mesmo partido de Serra, pensa que há muita coisa a ser esclarecida antes. "Tem que deixar claro que é distrital mista, se vai votar na legenda e o partido indicar o vereador, se vai votar no candidato. O voto distrital é uma forma de representação de segmentos de setores, mas tem de ser melhor discutido antes de implantado, ou a emenda pode ser pior que o soneto."
Também do partido de Serra, Gerson Araújo (PSDB) diz que vai cobrar justificativas da sua legenda. "Claro que tem alguns que se elegem com os votos da própria região, mas a maioria tem votos distribuídos na cidade toda. O processo (de implantação) é meio inverso", classifica.



