Vereadores rejeitam convite a Nedson
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Na semana passada, a Câmara de Vereadores de Londrina rejeitou o requerimento que convidava a ex-assessora da campanha petista Soraya Garcia a prestar esclarecimentos sobre as denúncias de gastos não declarados à Justiça Eleitoral. Ontem, pelo placar idêntico de 10 votos contrários, seis favoráveis e duas abstenções, foi a vez de a Casa arquivar o pedido para que o prefeito Nedson Micheleti (PT) conversasse em Plenário sobre o mesmo assunto. A proposta havia sido formulada por Henrique Barros (PMDB) e Marcelo Belinati Martins (PP).
Para o líder do Executivo na Câmara, Lourival Germano, as investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) já são suficientes para esclarecer eventuais dúvidas sobre a prestação de contas do prefeito, colocadas em xeque desde que Soraya fez a denúncia. ''Não existem instituições com mais recursos para investigar do que eles já possuem. Já temos os nossos problemas para resolver'', justificou.
Questionado sobre o argumento de independência entre os poderes defendido por parlamentares da oposição, na semana passada , Germano desconversou. ''Somos um poder independente, mas temos os nossos compromissos de criar leis. Além do mais, a maioria dos vereadores visitam a Prefeitura com frequência, ou vão nos mesmos eventos que o Nedson'', disse.
Para Martins, o resultado da votação não surpreendeu mas decepcionou. ''A Câmara perdeu uma grande oportunidade de dar uma satisfação à sociedade e cumprir o papel de fiscalizar o Executivo'', defendeu, salientando que ao Legislativo caberia não a discussão jurídica, mas política do fato.
Também na sessão de ontem, os vereadores retiraram de pauta por tempo indeterminado o projeto do prefeito que autoriza o financiamento de R$ 9 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para modernização e informatização da administração. O pedido de retirada foi feito por Germano, sob a alegação de que faltava quórum para discutir a medida. Integrantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) também aguardavam a votação do projeto para contestá-lo.
Nos bastidores, falava-se em uma volta da matéria ainda naquela sessão, o que foi adiado após reunião de quase uma hora, a portas fechadas, no gabinete da Presidência. O líder do prefeito negou que o tema constasse dos debates. ''Os vereadores estão exagerando nas discussões, e precisávamos conversar para colocar isso em pratos limpos seja pelos comportamentos da Mesa, ou mesmo do penário. Enfim, lavamos a roupa suja'', comparou.


